[[legacy_image_334032]] A transferência, da Capital para Santos, do gabinete da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) agiliza as decisões do titular da pasta, Guilherme Derrite, em um momento de intensa criminalidade. O ato é um esforço do Governo do Estado para mostrar que trata como prioridade os vários registros de troca de tiros e mortes de policiais militares na Baixada Santista. A decisão simboliza uma resposta das forças de segurança contra a audácia dos bandidos, que ao invés de fugirem têm confrontado as autoridades na região. Medidas pontuais estão sendo tomadas por meio de operações, mas é importante que o Estado mantenha políticas de longo prazo para a área, buscando reverter a sensação de insegurança sentida pela sociedade. Em 26 de janeiro, o PM Marcelo Augusto da Silva foi morto na Rodovia dos Imigrantes, na altura de Cubatão, quando voltava de moto para casa. Já o policial da Rota Samuel Wesley Couto morreu após patrulhamento no Bom Retiro, em Santos. Por último, o cabo José Silveira dos Santos foi assassinado na quarta-feira, enquanto averiguava denúncia de tráfico de drogas no São Manoel, em Santos. Entretanto, a morte de policiais na Baixada Santista não se restringe a este ano, assim como policiais foram alvo de ações violentas, como tentativas de roubo, nos últimos dias, na Capital, resultando na morte de um agente do Departamento de Entorpecentes (Denarc) da Polícia Civil, baleado em assalto. Há muitas explicações possíveis, desde a possibilidade de uma ordem de organizações criminosas para seus integrantes reagiram contra as forças policiais, até um surto de criminalidade durante as férias de verão, período em que mais gente fica exposta. Ou ainda que um maior efetivo das polícias nas ruas naturalmente ampliou o confronto com os bandidos. Porém, respostas para isso, importantes para a definição de futuras políticas do Estado, dependem de uma investigação mais profunda. Há no momento um grande embate político sobre o que fazer na segurança pública, o que é importante para se chegar a medidas efetivas para reduzir as estatísticas atuais e de longo prazo. Porém, há muita divergência sobre esse tema, e não se tem conseguido chegar a um consenso sobre o que deve ser feito. Nos últimos dias, alguns governadores se articularam contra a saidinha das penitenciárias, assunto em discussão há vários anos no Congresso. Com os múltiplos registros de criminosos beneficiados por esse artifício que aproveitam para fugir ou praticar atos violentos, é óbvio que a medida precisa ser revisada. Porém, a criminalidade ganhou contornos amplos, inclusive com a ajuda da tecnologia e uma maior conexão internacional entre as facções. No fim das contas, apesar da segurança pública ser atribuição dos governadores, o Governo Federal e os poderes Judiciário e o Legislativo precisam encontrar soluções de forma conjunta para que os brasileiros possam andar pelas ruas com tranquilidade.