[[legacy_image_119522]] Sem deixar claro o que pretende fazer no curto prazo, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que a Petrobras subirá de novo os preços dos combustíveis em 20 dias. Nenhuma novidade, afinal, a cotação do petróleo continua em alta devido à reabertura das economias. Mas a afirmação ganha outra dimensão ao ser feita pelo chefe do Executivo – quem de fato pode usar a caneta para segurar as remarcações, ainda que isso acabe por arruinar as finanças da empresa e o valor da companhia na bolsa. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A pressão é imensa – de um lado, estão os caminhoneiros em greve, ainda que não tenham parado as estradas. Do outro, os governadores, que congelaram o valor médio usado no cálculo do ICMS. Entretanto, os grandes fatores da subida dos combustíveis são o preço do barril e a valorização do dólar. Para isso, há remédios, não políticos e de longo prazo, sem chance de surtirem efeito a tempo de recuperar a popularidade do governo até as eleições. O ex-diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Décio Oddone, acha um equívoco o governo tentar domar os preços do setor. Segundo ele, em entrevista ao jornal Valor, o certo seria abrir todos os elos da cadeia, alimentando a competitividade. Uma parte disso poderá ser obtida por meio do acordo da estatal com a ANP para vender oito de suas 13 refinarias. Além disso, afirmou ele, uma abertura também atrairia mais importadoras, resultando em concorrência. Entretanto, o governo está sem fichas para atuar no curto prazo. O presidente disse que vai haver um “jogo pesado” para a estatal nesta semana, sem explicar o que isso significa. O Planalto também está em parceria com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que conseguiu aprovar o projeto que alinha o valor médio de cálculo do ICMS aos preços dos dois anos anteriores, retardando o impacto das altas recentes. Falta o aval do Senado, onde o governo está muito fraco. Hoje, essa média é calculada a cada quinzena, o que na prática acompanha os reajustes da Petrobras e ajuda a aumentar o que é pago nas bombas. Como os estados temem perder muita arrecadação, decidiram congelar esse referencial por 90 dias, uma forma de ganhar tempo no Senado. Com tanta política nesse meio, a verdade é que as perspectivas de preços do barril não são animadoras. O tipo Brent saltou 120% em um ano, fechando outubro em US\$ 83. Se a demanda continuar em ascensão, os analistas acham que a commodity atingirá US\$ 100. Com o preço convidativo para a produção, haveria equilíbrio na oferta e a cotação cairia para US\$ 70 no próximo ano, recuo de 18%. Mas a aposta é de que a retomada mundial voltará a pressionar os preços no segundo semestre de 2022. Portanto, o ritmo da commodity bate de frente com o processo eleitoral. O caminho menos traumático seria o Governo Federal negociar com os estados uma queda de alíquotas, algo difícil de obter devido à própria disputa política das épocas eleitorais.