(Divulgação/X) Depois de 39 dias de bloqueio, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou a operação da rede social X, antigo Twitter, no Brasil. A plataforma cumpriu as exigências do magistrado, pagando R\$ 28,6 milhões em multas e suspendendo contas mediante ordem da Justiça – segundo o X, pelo menos 223 foram atingidas a pedido do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O X também foi obrigado a nomear um representante no País, deixando para trás a ideia absurda de não ter presença legal no Brasil, uma forma de não ser alcançado pela Justiça. Essa queda de braço chega ao fim com uma clara vitória de Moraes e uma derrota para o proprietário do X, Elon Musk. Ainda que se critique Moraes por seu rigor, que prejudicou mais de 20 milhões de usuários, o bilionário teve que se submeter ao Judiciário como qualquer brasileiro, estrangeiro ou empresas aqui estabelecidos ou que tenham interesses no País. Deve-se lembrar ainda que o dono do X cumpriu ordens de moderação de conteúdo na China e na Índia, mercados gigantescos e com outros investimentos dele. No fim das contas, não havia cabimento aceitar um desrespeito ou medidas alternativas para escapar das leis locais. Espernear não está proibido, assim como reclamar de Moraes também não, mas há caminhos para isso. Como lembrou o jornal americano The New York Times, Musk perdeu um mês de negócios em um de seus maiores mercados para “acabar onde exatamente começou”. O desfecho teve repercussão internacional por envolver um nome incensado como o de Musk, que inegavelmente tem enorme papel nas últimas conquistas tecnológicas. Ele é um empreendedor disruptivo, jargão das startups para projetos que quebram padrões e são revolucionários. Musk desenvolveu veículos elétricos, foguetes espaciais e internet via satélite. Mas seu engajamento político mais extremado e a aliança com o trumpismo têm assustado a política convencional e analistas, principalmente pelo poderio crescente dos superbilionários. No Brasil, segundo o portal g1, o X está muito atrás de outros formatos de redes sociais, notadamente da Meta, que controla o WhatsApp, Facebook e Instagram. Mas o X tem um público muito qualificado e formador de opinião, como agentes do mercado financeiro, jornalistas, executivos de grandes empresas, intelectuais e altos escalões dos governos. Há ainda os tradicionais haters, que praticam bullying virtual e nada propagam de construtivo, e os difusores de informações falsas que atacam a democracia, o bem mais precioso de uma sociedade livre e que tem que ser preservado. Segundo analistas, o caso do X no Brasil aproxima muito o país aos europeus em relação ao cerco legal sobre redes sociais e seus algoritmos. A legislação sobre essa área é muito delicada, pois não é uma ciência exata, mas é preciso haver regras, assim como já é aplicado a todos os setores das sociedade.