(Divulgação/ Prefeitura de Santos) A pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições, sete em cada dez eleitores da Baixada Santista ainda não sabem em quem votar para deputado federal ou estadual. O dado chama a atenção não apenas pela dimensão da indecisão, mas principalmente porque revela o espaço reduzido que as disputas legislativas ainda ocupam no debate eleitoral. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na primeira pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto de Pesquisas A Tribuna (PAT) na Baixada Santista neste ano, com 1.200 eleitores ouvidos na semana passada, 69% dos entrevistados não souberam apontar um candidato à Câmara dos Deputados. Para a Assembleia Legislativa, o índice é ainda maior: 71,7%. Nas respostas, que são sempre espontâneas, muitos indicam nomes equivocados, de políticos que sequer estão disputando vagas. Há uma explicação conhecida para esse fenômeno. Campanhas eleitorais, debates e a própria cobertura política tendem a concentrar grande parte das atenções nas disputas pelo Executivo. A diferença aparece claramente na mesma pesquisa. Na corrida presidencial, o índice de eleitores que não sabem em quem votar cai para 8,8% na consulta estimulada e fica em 25% na espontânea. Deputados, porém, não podem ser tratados como personagens secundários da eleição. É no Legislativo que são discutidas, modificadas e aprovadas as leis que interferem diretamente na vida da população. Deputados estaduais fiscalizam o governo, votam o orçamento paulista e deliberam sobre políticas públicas de competência do Estado. Na Câmara Federal, os parlamentares decidem sobre legislação nacional, orçamento da União e temas que vão da economia à saúde, da segurança à educação, além de fiscalizarem o Poder Executivo. Para uma região com demandas tão específicas quanto a Baixada Santista, ter representantes preparados e comprometidos também significa ampliar a capacidade de defender interesses locais em São Paulo e Brasília. Infraestrutura, mobilidade, saúde, habitação, porto, meio ambiente e desenvolvimento regional dependem, em diferentes graus, da articulação política e da qualidade dessa representação. O horário eleitoral gratuito certamente ajudará a apresentar nomes e propostas, mas não basta. Escolher um parlamentar exige mais do que assistir a alguns segundos de propaganda. Cabe ao eleitor pesquisar quem são os candidatos, conhecer sua trajetória profissional e política, suas propostas, seus vínculos e as causas que defendem. No caso daqueles que buscam a reeleição, a tarefa é ainda mais objetiva: verificar como votaram, quais projetos apresentaram, que posições assumiram, quanto participaram dos trabalhos legislativos e o que efetivamente fizeram pela região que pretendem continuar representando. Há tempo para essa escolha. Mas ela não deve ser deixada para a última hora. Uma democracia forte não depende apenas de quem ocupa o Executivo, mas também da qualidade daqueles que recebem da população o poder de legislar e fiscalizar.