Eleitores com 16 e 17 anos, com mais de 70 anos ou analfabetos podem escolher se vão às urnas ou não (Alexsander Ferraz/Arquivo AT) A queda contínua da participação do eleitorado jovem no cenário político brasileiro traz à tona um cenário que merece reflexão, ainda mais em um ano eleitoral: a transição demográfica do País deixou de ser apenas um dado estatístico para se consolidar como força transformadora do pleito. O encolhimento da faixa etária que vai dos 16 aos 24 anos era um fenômeno plenamente previsível diante da redução contínua das taxas de natalidade. Contudo, suas repercussões na dinâmica democrática exigem uma análise profunda por parte de toda a sociedade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Números consolidados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam uma retração superior a 20% no contingente de jovens votantes no País ao longo das últimas décadas, como A Tribuna publicou na edição de ontem. Quando o olhar se volta para a Baixada Santista, o desenho etário é ainda mais intenso. Santos surge como um retrato nítido desse fenômeno no Estado, apresentando a menor proporção de adolescentes votantes da região, com aqueles entre 16 e 17 anos representando menos de 0,5% do eleitorado local, enquanto as populações mais idosas continuam a crescer expressivamente em representatividade. Esta profunda reconfiguração do perfil demográfico vai impor uma reformulação inevitável no discurso das candidaturas e no tom das plataformas partidárias. Se, antes, as agendas direcionadas à juventude concentravam grandes esforços publicitários, os novos mapas eleitorais exigem um redirecionamento de foco. As propostas de governo terão, por força das urnas, de transitar de maneira muito mais consistente por temas vitais para o eleitorado mais maduro, como o financiamento da saúde pública, a sustentabilidade dos sistemas previdenciários e a ampliação de políticas de mobilidade urbana e cuidados contínuos. Diante dessa constatação, recai sobre a parcela sênior do eleitorado uma responsabilidade política sem precedentes na democracia brasileira. Por ser a maioria decisiva nas urnas, esse grupo precisa manter vigilância redobrada sobre a mudança na tônica das campanhas. Cabe aos eleitores dessa faixa etária discernir propostas consistentes de meras promessas de ocasião voltadas a capturar o “voto grisalho”. Entender com clareza as reais prioridades das cidades e do Brasil é o primeiro passo para uma cobrança firme e embasada sobre os governantes eleitos, garantindo que o envelhecimento da democracia venha acompanhado de maturidade e avanços concretos na gestão pública. Por outro lado, essa prevalência sênior não pode significar o abandono total do debate sobre o futuro do trabalho e da inovação, vitais para manter a economia em crescimento e o jovem integrado à evolução da sociedade. O verdadeiro desafio será equilibrar as urgências de uma população que envelhece com a necessidade de garantir horizontes atraentes para as novas gerações, sob o risco de distanciar definitivamente a juventude da vida pública.