(Alberto Marques/ Arquivo/ AT) Neste domingo (4), 158.745.463 brasileiros estarão aptos a fazer uma das escolhas mais importantes da vida democrática do País. Em poucas horas, nas urnas, estará concentrado um poder que pertence exclusivamente ao cidadão: decidir quem receberá a responsabilidade de representá-lo e de conduzir o Brasil e os estados nos próximos anos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam que 20.988 candidaturas chegam a essa reta final. Somados os mandatos principais, são 1.654 postos que receberão a legitimidade para tomar decisões em nome da sociedade. É muita coisa e é muito poder. O voto é o instrumento mais direto da soberania popular, mas não é o único. Democracia pressupõe participação antes, durante e, principalmente, depois das eleições. A cada quatro anos, o Brasil naturalmente reduz o passo para olhar com maior atenção para sua corrida eleitoral: discutir nomes, alianças, pesquisas, campanhas e propostas. Mas, passada a eleição, os problemas que aguardam o País continuarão exatamente onde estavam. O próximo governo encontrará desafios fiscais importantes, necessidade de elevar produtividade e investimentos, gargalos de infraestrutura, deficiências educacionais, desigualdades sociais e os efeitos de uma população que envelhece. A Baixada Santista chegará às urnas com 1.446.142 eleitores, 4,24% de todo o eleitorado paulista. É um contingente expressivo e, mais do que isso, uma região cuja importância para o País ultrapassa largamente suas fronteiras geográficas. Aqui está o maior complexo portuário brasileiro, por aqui passam questões estratégicas relacionadas à logística, ao comércio exterior, à mobilidade, às rodovias, às ferrovias, à energia, ao turismo, ao meio ambiente, à habitação e à adaptação climática. A Baixada Santista não pode ser lembrada apenas durante as campanhas, quando candidatos desembarcam na região em busca de votos. Quem receber votos daqui assume também a responsabilidade de compreender suas particularidades e defender seus interesses legítimos em Brasília e no Governo do Estado. O mesmo vale para o País. Encerrada a apuração, será necessário diminuir a temperatura eleitoral e recolocar no centro aquilo que realmente importa: o interesse público. Divergências fazem parte da democracia, o que não pode ser naturalizado é uma relação permanentemente tensionada entre instituições cuja independência e harmonia estão previstas na própria Constituição. O Brasil precisa encontrar caminhos para pacificar a relação entre os Poderes sem confundir pacificação com submissão, silêncio ou ausência de fiscalização. Executivo, Legislativo e Judiciário têm competências próprias, limites e responsabilidades. Respeitá-los fortalece as instituições e oferece ao País algo indispensável para avançar: previsibilidade. Quem quer que saia legitimamente vitorioso das urnas terá a tarefa prioritária de pacificar essas relações e seguir em busca do desenvolvimento econômico e social que todos esperam.