(Vanessa Rodrigues/AT) Passada a fase traumática, mas necessária, de intervenção urbana em Santos para a instalação da segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), ainda não há uma data definitiva para a inauguração das atividades do modal. Em fevereiro, antes da reunião do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), no Grupo Tribuna, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que a entrega das obras ocorreria em 180 dias, portanto, no máximo em agosto próximo. Entretanto, questionada por A Tribuna na edição do último domingo sobre o início da operação comercial do VLT, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) respondeu que a conclusão está prevista para este ano, sem especificar um mês. Espera-se que isso não signifique alguma demora após agosto ou mesmo que possa ocorrer novo adiamento. A segunda fase do VLT vai integrar linhas de ônibus e o próprio modal já em operação na Avenida Francisco Glicério, em Santos, integrando as estações Conselheiro Nébias e Valongo. Esse novo sistema vai modernizar e gerar mais conforto a quem depende do transporte público, principalmente na região central santista. O início de suas atividades é aguardado com grande expectativa, pois se espera que ele ajude a reduzir os congestionamentos e a atrair mais consumidores ao comércio do Centro. Além disso, o VLT é considerado vital para estimular a circulação de turistas e apoiar os planos da Prefeitura de revitalizar essa parte da Cidade com investimentos em moradia popular, que ainda são poucos, mas que já começaram. Conforme a Artesp, ainda há a necessidade de realizar testes e implantar dispositivos para o completo funcionamento do modal. Já a Prefeitura de Santos afirma que precisará reordenar algumas linhas de ônibus. Sabe-se que haverá sobreposição de oito delas, sendo quatro municipais e quatro intermunicipais. Também será fundamental disciplinar o estacionamento e o fluxo de descarregamento de mercadorias dos comércios nas ruas centrais movimentadas, assim como orientar a população sobre o cuidado com a aproximação do trem. O início das atividades do VLT também é vital para preservar suas instalações, lembrando que já ocorreram casos de vandalismo e roubo de cabos e partes metálicas de uma estação. Aliás, a infraestrutura das paradas já estão concluídas e os lojistas contam com o movimento dos passageiros para aquecer suas vendas, após longo período de transtorno com as obras. A implantação do VLT é uma oportunidade para questionar a dificuldade para investir em infraestrutura no Brasil, com processos licitatórios tumultuados por disputas judiciais e obras demoradas e muitas vezes paralisadas por falta de recursos. No caso do transporte público, os projetos saem do papel aquém do necessário para a população. O Estado age corretamente e deve ser reconhecido por manter a expansão do VLT. Mas tudo precisa ser feito de forma mais célere.