[[legacy_image_190114]] Dois levantamentos, um do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o outro da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram o impacto da pandemia desde 2020 no setor turístico. Os reflexos foram devastadores e os governos precisam investir mais em programas de apoio para que profissionais e empresas desse ramo possam potencializar seus ganhos nesta fase de recuperação. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua - Turismo, do IBGE, o número de viagens dos brasileiros caiu 41% no ano passado, em comparação com 2019, na pré-pandemia. Em números absolutos, dos 20,9 milhões de embarques de 2019, houve uma queda para 13,6 milhões em 2020 e 12,3 milhões em 2021, resultando em uma perda de 15,9 milhões de viagens em 2020 e 2021. Já a CNC estima que os serviços turísticos deixaram de faturar R\$ 485 bilhões entre março de 2020 e janeiro último. Nos últimos meses as atividades turísticas passaram por uma forte recuperação, colaborando para que o setor de serviços puxasse a alta do Produto Interno Bruto (PIB), que em termos anualizados avançou 4% no semestre passado e que dificilmente repetirá esse feito nesta segunda etapa de 2022. O principal efeito contrário a uma retomada mais forte é a inflação, que encarece os preços dos produtos do turismo, e os juros elevados, que desestimulam o crédito, muito importante para a vendas do setor. Aliás, os preços das passagens aéreas, que subiram ao redor de 120% no acumulado de 12 meses, estão entre os principais componentes que puxaram os índices de inflação. Além do peso dos combustíveis mais caros, existe uma demanda reprimida por voos e as companhias ainda não retomaram todas as linhas oferecidas até o período da pré-pandemia. Paralelamente, as empresas ainda precisam honrar os reembolsos de viagens e hospedagens postergadas. Assim como em outros segmentos dos serviços, o das atividades turísticas ainda precisa se recuperar de uma fase de sumiço dos clientes e de dívidas acumuladas e se adaptar às próprias mudanças que a tecnologia trouxe, que são os aplicativos de viagens e uma competição acirrada que comprime as margens de lucro. Mas a reabertura já cumpre um importante papel de retorno dos empregos não só nessas empresas como nos bares, restaurantes e festivais, que mantêm muitos postos de trabalho, boa parte de baixa capacitação, indicando a grande relevância socioeconômica do ramo do turismo. Além da renegociação de dívidas, de mais financiamento aos turistas e da liberação de recursos de fundos de fomento ao setor, as prefeituras e os governos estaduais podem colaborar com investimentos na restauração de destinos históricos e na própria infraestrutra urbana, como aeroportos e rodoviárias. Isso traria mais conforto e aumento do valor agregado que o setor turístico pode dar às cidades.