(Divulgação) Dos vários contornos da impactante vitória de Donald Trump, estão imigração e perda do poder aquisitivo, questões que ele soube trabalhar muito bem. Os democratas tiveram dificuldades para rebatê-lo, pois estão no poder e não conseguiram controlar a fronteira com o México. Com xenofobia e outros preconceitos na campanha republicana, isso soa estranho, pois é a nação que cresceu com imigrantes, mas Trump soube aproveitar o incômodo dos conservadores. Em outro paradoxo, a geração de emprego nos EUA está forte e precisa dessa mão de obra excedente, até para não pressionar os salários e aliviar a inflação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mas o aumento dos preços é que pesou nas urnas, sob o argumento do trumpismo de que os americanos empobreceram. A inflação é um velho problema no Brasil, mas nos EUA e em parte do mundo refletiu a injeção de recursos públicos para atenuar o impacto da pandemia. Esses índices perderam ímpeto, ficando entre 2% e 3% nos EUA, perto da estabilidade. Porém, se trata de média – quando o cidadão vai ao supermercado encontra alguns produtos de 20% a 40% mais caros, corroendo o poder aquisitivo do cidadão comum. Muitos analistas viram esse argumento de Trump na economia como populismo mentiroso, pois os EUA estão em crescimento e avanço tecnológico impressionantes. Mas o recente salto de prosperidade se concentra em partes do país, como Califórnia e costa leste, com excelentes salários e inovações que varrerão empregos tradicionais, gerando insegurança na classe média. Contudo, não se deve cair totalmente na conversa de Trump, pois é um país rico e estável, com boa distribuição de renda, apesar da ascensão dos bilionários, e escolas de qualidade e pleno emprego. Ontem, após vitória indiscutível, Trump recebeu telefonema de Kamala Harris e convite de Joe Biden para ir à Casa Branca, assim como o presidente Lula, que disse torcer pela democrata, parabenizou o republicano. Tudo muito diferente de quatro anos atrás, quando Trump não aceitou a derrota, resultando no ataque ao Capitólio, e o então presidente Jair Bolsonaro demorou 38 dias para reconhecer a eleição de Biden. A mudança agora está relacionada às urnas, com 4,8 milhões de votos (equivalente a 3,4 pontos percentuais) a mais para Trump sobre Kamala e placar no colégio eleitoral de 295 a 226. Apenas após a posse será possível saber com que intensidade Trump vai assumir o poder, como seu negacionismo no clima, se será capaz de encerrar as guerras da Ucrânia e no Oriente Médio, e como vai lidar com pautas dos negros e mulheres, eleitorado de Kamala. Há outras questões, de que Trump será o presidente mais velho dos EUA, suas condenações na Justiça, e que não poderá se reeleger, pois já está no limite de dois mandatos. Falta ainda observar os impactos de suas decisões no Brasil, tanto na economia, que podem ser muito ruins, e na política, fortalecendo a direita e o conservadorismo.