[[legacy_image_286835]] Impacta, mas já não é novidade que a faixa etária predominante entre as mortes no trânsito da Baixada Santista seja de jovens entre 18 e 24 anos. Dados constantes no Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga SP) e atualizados com o primeiro semestre deste ano apontam que o trânsito na Baixada Santista está no nível mais violento desde 2020 e que a maior parte das vítimas é formada por jovens até 24 anos. Neste primeiro semestre, foram verificadas 132 mortes no trânsito da região. Em igual período do ano passado, foram 107, aumento de 23%. Na análise entre 2018 e 2023 dos dados do Infosiga SP, a faixa etária com maior número de óbitos é justamente entre 18 e 24 anos (158) e 25 a 29 anos (146). Quando analisado o tipo de veículo que mais se envolve nesses acidentes fatais, a motocicleta aparece em primeiro lugar, com 502 ocorrências nesse intervalo entre 2018 e 2023. Bicicletas estão ligadas a 238 mortes. Os números apurados na Baixada Santista estão alinhados com o que acontece no restante do Brasil e do mundo. Dados constantes de relatório divulgado em 2018 pela Organização Mundial de Saúde apontaram que os acidentes de trânsito são a segunda maior razão de mortes entre os jovens, sendo superada apenas pela violência interpessoal. Já naquele ano, a OMS recomendava às autoridades maior foco na educação de trânsito e mais campanhas de conscientização para os próprios jovens e seus familiares. Embora o Infosiga SP não traga esse detalhamento nem o cruzamento das informações, há evidências suficientes para intuir que a liderança da faixa etária entre os óbitos e o fato do principal veículo envolvido ser a motocicleta tenham relação estreita com o tipo de trabalho em que esse público atua: aplicativos de entrega, área que cresceu de forma expressiva na pandemia e segue em ritmo acelerado. Sobre esse eventual cenário, dois pontos devem ser observados. O primeiro diz respeito à condição de trabalho em que esse público atua, muitos sem quaisquer estrutura protetiva no caso de acidentes e suporte à família e ao tratamento. O segundo está relacionado aos custos não contabilizados que os acidentados geram para o sistema de saúde. Em geral, acidentes de trânsito, quando não resultam em morte, implicam em meses de tratamento, seguro-saúde e outros tipos de assistência. Mais barato e assertivo seria investir recursos públicos em campanhas, vias mais seguras e ativação rápida do plano metropolitano de mobilidade urbana. Não é apenas sobre aumento de mortes que se fala ou sobre famílias mutiladas e sem recursos para uma vida digna. É mais que isso: é o comprometimento de toda uma cadeia produtiva cerceada pela violência no trânsito, trânsito que se complica pela presença crescente de mais motocicletas e mais carros a cada dia, em uma malha viária que não cresce. Não há mais tempo a esperar.