( Pixabay) Com uma cotação de US\$ 2,4 mil a onça-troy, o ouro teve alta valorização neste ano, de 14% de janeiro até agora, mas com pico de 18% em prazo mais curto, entre 1o março e 12 de abril, mostrando tendência acentuada para oscilar. Os economistas apontam três motivos para isso – incertezas na geopolítica mundial, dúvidas com o dólar e a economia americana mais a inflação mundial, e a compra do metal por bancos centrais. Principalmente pela China, que apenas no ano passado adquiriu 200 toneladas, hoje valendo US\$ 15 bilhões. Como suas reservas já são conhecidas, o ouro geralmente é usado como uma espécie de porto seguro contra a inflação (não há em vista a descoberta de grandes minas que possam aumentar sua oferta e desvalorizá-lo). E hoje há muito temor com a principal moeda, o dólar. Apesar de ser a divisa mais importante do mundo para trocas, teme-se que a dificuldade do Banco Central americano de controlar os preços no país acelerem a perda da força do dólar, anunciada há um bom tempo. Se isso acontecer, economias tradicionalmente inflacionárias como o Brasil poderão sofrer sérios abalos. Por isso, os ataques que o presidente Lula tem feito ao BC e a pressão do PT para aumentar os gastos e afrouxar os controles para acelerar o crescimento da economia são arriscadíssimos. Aventuras como essa já foram experimentadas pelo País e precisam ficar no passado. O simbolismo do ouro é muito maior para governos e superricos que pretendem se proteger em caso de uma catástrofe. Por exemplo, há investidores mais alarmistas que rejeitam comprar o metal por meio de papéis. Mesmo com a dificuldade e o risco para guardá-lo, dizem que seria preciso tê-lo fisicamente no caso de uma crise sistêmica do mercado financeiro. No âmbito da geopolítica, a Rússia está sem acesso a capitais do ocidente para manter sua máquina de guerra, e a China desconfia do cerco comercial dos Estados Unidos. Há ainda implicações no Oriente Médio, com Israel incrivelmente isolado, e o enfraquecimento do liberalismo pelo mundo, com a extrema direita, que contesta as instituições ocidentais, se expandindo pela Europa. Nos EUA, é esperado que se Donald Trump for eleito, apesar das 34 condenações contra ele, vá avançar sobre o BC para acelerar o crescimento do país, algo parecido com o que Lula tem feito no Brasil. Portanto, o ouro passou a simbolizar os tempos atuais, em que os países não se sentam para negociar e preferem partir para confrontos político e comercial. Essa percepção considera abaladas as bases de uma economia forte, a americana, e os mercados temem o longo prazo. Tudo isso é fruto de expectativa exagerada, pois, de concreto, o que se tem agora é uma inflação rebelde, mas contida em níveis altos para o primeiro mundo, mas razoáveis para o Brasil. De qualquer forma, o governo precisa buscar a estabilidade, a austeridade e uma gestão responsável perante o BC.