(Alexsander Ferraz/AT) Santos já reúne atributos que muitos destinos passam décadas tentando construir: natureza, patrimônio histórico, gastronomia, cultura, o maior porto da América Latina e localização privilegiada, próxima ao maior mercado emissor de turistas do País. Nos últimos anos, a cidade acrescentou a esse patrimônio uma infraestrutura mais preparada para receber visitantes, com rede hoteleira de bom nível, equipamentos turísticos renovados e um centro de convenções que ampliou sua capacidade de disputar o importante mercado de eventos e negócios. Os números mostram que esse potencial já se traduz em atividade econômica. Estudo preparado pelo Conselho de Desenvolvimento de Santos (Condesan), com dados do Observatório do Turismo, vinculado à Secretaria de Turismo de Santos, aponta que, em 2025, as atividades ligadas ao setor recolheram R\$ 16,2 milhões em ISS, contra R\$ 4,7 milhões em 2018. A partir dessa arrecadação, a estimativa é de um faturamento formal de R\$ 540 milhões no ano passado. E é fundamental compreender que esse valor representa apenas um recorte da atividade, não toda a riqueza que o turismo efetivamente produz na Cidade. Sua dimensão aparece também no mercado de trabalho: 13.536 vínculos formais em 2025, equivalentes a 7,36% dos empregos considerados na base municipal. Outro levantamento identifica 8.003 registros de empresas, estabelecimentos e profissionais relacionados à cadeia turística, envolvendo gastronomia, eventos, hospedagem, agências, cultura, transporte e lazer. São números robustos para demonstrar a importância do turismo, mas ainda insuficientes para revelar seu tamanho real. Quanto um turista deixa, em média, por dia em Santos? A pesquisa realizada no Carnaval oferece faixas de gastos, mas 40,8% dos entrevistados não responderam, o que impede uma média representativa. Quantos milhares de visitantes se hospedam em imóveis oferecidos por plataformas digitais e, portanto, passam ao largo das estatísticas da hotelaria? Qual é a real ocupação dos hotéis durante a baixa temporada? A série disponível acompanha apenas parte da rede e aponta ocupação anual ao redor de 57%, com resultados melhores no verão e em feriados. Preencher essas lacunas não é mero exercício estatístico. Saber quem visita Santos, quanto gasta, onde se hospeda, por quanto tempo permanece e em quais períodos vem à cidade oferece elementos para políticas públicas mais precisas: permite direcionar investimentos, desenvolver novos produtos turísticos, definir mercados prioritários, atrair eventos e criar estratégias capazes de reduzir a sazonalidade. Santos avançou muito e novos investimentos abrem perspectivas ainda maiores. A cidade tem praia, história, cultura, gastronomia, esporte, negócios e cruzeiros. Tem infraestrutura e diversidade para transformar turismo em um vetor cada vez mais relevante de desenvolvimento. O próximo passo é medir melhor essa riqueza. Quanto mais Santos conhecer seu turismo, melhores condições terá de planejá-lo, promovê-lo e fazê-lo crescer.