[[legacy_image_248624]] Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o Ibama, o ex-deputado federal pelo PSB Rodrigo Agostinho tem a missão principal de reduzir pela metade o desmatamento das florestas, um tema que entrou no debate eleitoral do ano passado e que continua muito forte com a tragédia do avanço do garimpo sobre a terra Yanomami. Há muitas polêmicas e discussões políticas sobre o que fazer, mas é preciso buscar resultados práticos, protegendo a mata, mas desenvolvendo formas sustentáveis de interação dos brasileiros com seus biomas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Voluntário do Ibama na região de Bauru (SP) aos 15 anos, Agostinho, hoje aos 45, ex-prefeito de Bauru, indica, em recente entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que sabe como será difícil cumprir sua tarefa de reduzir o desmatamento. Até porque a estrutura do órgão foi esvaziada, segundo ele, com a diminuição do quadro de 2 mil fiscais para atuais 350. Ele espera recompor essa diferença com concursos, o que vai depender da equipe econômica e da força da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. É possível que a entrada de recursos estrangeiros via Fundo Amazônia e por outros meios financiadores, como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), seja uma forma alternativa para reequipar o Ibama. Mas é difícil acreditar que em reduzido espaço de tempo será possível movimentar a infraestrutura governamental da proteção ambiental para salvar as florestas da rápida devastação. Segundo Agostinho, 2 milhões de hectares de matas foram desmatados no ano passado, o equivalente a 507 vezes a área insular de Santos ou a metade do estado do Rio de Janeiro. Ele diz que pretende reduzir esse montante em 50% em 2023, o que é um trabalho gigantesco, que não se resume à Amazônia. O Cerrado passa por uma devastação mais acelerada ainda por estar inserido no próprio processo de crescimento das cidades médias e da agropecuária, por exemplo, em Minas Gerais e no Centro-Oeste. O novo presidente do Ibama diz que o País já perdeu 20% das florestas e 40% sofreram alguma degradação. Não é possível acreditar que apenas fiscalização vai resolver esse problema. É preciso coibir com veemência os abusos, mas se deve estimular o agronegócio sustentável, o que exige investimentos, capacitação e novas tecnologias. Evitar o sumiço das florestas é um trabalho muito difícil, porque o Brasil ainda está muito cru na inclusão das energias renováveis e na mudança de comportamento da população. Há muita boa vontade de vários lados para que essa transição ocorra, mas falta o financiamento para deslanchar o processo de migração ao sustentável e educação ambiental sobre questões básicas, como os materiais que devem ser reciclados e formas de economizar água e reduzir o descarte de lixo. É um trabalho que deve conciliar ensino e investimento.