[[legacy_image_226466]] Os últimos cinco trimestres do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foram de crescimento, o que é um grande resultado. Entretanto, nos últimos três períodos, o PIB passou por um processo de desaceleração – expansão de 1,3% no primeiro trimestre, de 1% no segundo e de 0,4% no terceiro. Essa redução de ritmo está relacionada ao esgotamento de medidas e condições que começaram a perder efeito ou se manifestam agora. Uma delas é o processo de reabertura da economia, com o fim das restrições da pandemia, que se encerraram e sob esse aspecto não há mais produção a ser recriada. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Outro fator são os estímulos que o Governo Bolsonaro adotou no primeiro semestre, como mais benefícios sociais, redução de impostos e liberação do FGTS, que agora não aquecem mais o consumo. Por último, os juros básicos, que passaram a subir forte há um ano e, como os economistas previam, começaram a causar reflexos neste momento. O crédito ficou muito caro e ele perdeu força para movimentar investimentos e consumo de produtos mais caros, como eletrônicos ou mesmo automóveis. Por isso, os economistas acreditam que o Governo Lula vai centrar as forças do Estado sobre a economia para movimentá-la. É esperado que os benefícios sociais, como o novo Bolsa Família, saiam do papel e tenham reflexo logo. O próprio mercado, avesso ao petista, prevê isso. Basta observar a subida de ações de varejistas e construtoras quando sai algum pronunciamento sobre gasto público endereçado ao consumo e habitação. Porém, há outras frentes que o novo governo poderá incrementar, como os financiamentos via bancos estatais. Se a inflação se estabilizar em 2023 em níveis mais baixos do que neste ano, é possível que a taxa Selic passe a cair, o que estimularia a tomada de crédito. Também há muita expectativa no lado da habitação. Falta desatar o nó da insuficiência de recursos públicos para subsidiar moradias para os mais pobres, mas o empréstimo desse setor à classe média poderá avançar com a Selic mais em conta. Contudo, economistas alertam que esse papel estatal de indutor do crescimento tem um custo pesadíssimo, que é o do endividamento público. Se a arrecadação de impostos não aumentar, o governo terá que tomar recursos da sociedade e, para isso, precisará oferecer juros atraentes. Portanto, dá de um lado e tira de outro. Os analistas também afirmam que o País permanecerá com um bom saldo comercial, mesmo que a recessão mundial esperada para 2023 reduza as exportações ou as cotações das commodities. Há ainda a incógnita da guerra da Ucrânia, que pode ter um desfecho ou se estagnar, pressionando o custo de energia, seguido de inflação, no Hemisfério Norte. Portanto, o novo governo terá um começo difícil, mas com a possibilidade de não ser tão ruim como muitos dizem. Mas fica o risco do gasto público deixar uma conta salgada para o médio e longo prazos.