[[legacy_image_221236]] Não só os governos, mas a sociedade civil também tem um papel importante na Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (COP27). A necessidade de reagir urgentemente para reverter impactos da degradação causada ao planeta desde a revolução industrial, no século 19, é mais do que compreendida. O problema é obter concessões das partes atingidas que no curto e médio prazos vão sofrer perdas econômicas, principalmente os segmentos que precisam interferir no meio ambiente. Entretanto, é grande a esperança de que a COP27 traga resultados mais objetivos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ainda mais que durante o evento, na última terça-feira, um grupo de 14 gigantes do agronegócio, entre elas as brasileiras JBS, Marfrig e Amaggi, comprometeram-se a reduzir as emissões de gases decorrentes do uso da terra em suas operações. Elas também anunciaram que vão eliminar o desmatamento de suas cadeias direta e indiretamente até 2025. Segundo o relatório do painel climático da ONU (IPCC, na sigla em inglês), quase um quarto das emissões de gases de efeito estufa está ligado ao uso do solo e atividades agropecuárias. A pecuária tem um impacto mais acentuando ainda. Em caso de derrubada ilegal da mata, as pastagens tendem a ser a primeira atividade econômica implantada na área, causando a degradação do solo. Segundo o Observatório do Clima, que reúne mais de 50 ONGs, a devastação das florestas fez com que o País tivesse no ano passado a maior alta das emissões em duas décadas. Além disso, a agropecuária tem uma grande responsabilidade pelo metano que, ao lado do gás carbônico, se tornou a grande preocupação dos ambientalistas. O desafio é monitorar planos ou qualquer outra medida a ser adotada que exija fiscalização e análise de dados de áreas remotas, ainda que ocorra o auxílio de satélites. No caso da JBS, a empresa de carnes tem 80 mil fornecedores de gado bovino e precisa acompanhá-los, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. A participação de empresas que seguem planos ambientais próprios e, do outro lado, governos que fiscalizam e estimulam a sustentabilidade são o melhor caminho para o agronegócio e outros setores da economia seguirem avançando com um impacto cada vez menor no planeta. No fim das contas, a redução do desmatamento se tornou fundamental para a iniciativa privada não só pelo impacto ambiental. A União Europeia e os Estados Unidos discutem medidas de sanção para companhias que produzem ou processam soja, cacau, café, carne bovina, couro, chocolate, móveis e óleo de palma a partir do desmatamento recente, simplesmente impedindo a importação de seus produtos. A melhor forma, além de uma eficiente negociação diplomática, a partir de agora, é agir rapidamente para reverter a ocupação das matas e estimular as empresas de diferentes portes a lidarem sustentavelmente com a natureza.