(Freepik) Com juros básicos elevados, de 10,75% ao ano, as distorções começam a se avolumar. O pior efeito é deixar de consumir ou investir na atividade produtiva para lucrar com produtos financeiros, que rendem mais e de forma segura. Os bancos são favorecidos por essa situação, exceto quando crédito a taxas altas começa a causar calotes pela própria recessão da economia. Mas é do lado do investimento que os ruídos aumentam, resultando no conflito entre as instituições bancárias e o Banco Central. É o caso do certificado de depósito bancário (CDB), como o nome indica, um papel emitido por banco. Quem compra um CDB assume diretamente o risco do emissor não honrar o rendimento prometido. Em caso de quebra, nem mesmo o principal (o valor investido) poderá ser resgatado. Porém, o setor bancário hoje mantém o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que garante a cobertura de até R\$ 250 mil por CPF em caso de falência. Assim, há mais segurança no mercado para ambos os lados. O FGC é abastecido com 0,01% do depositado em produtos garantidos, como saldo da conta corrente, caderneta de poupança, letras de crédito imobiliário e agrícola e CDB. Este último é um dos investimentos mais baratos para os bancos, que tendem a pagar menos se tiverem muitas fontes de captação (CDB e outras aplicações). Geralmente são grandes instituições privadas e públicas, que ainda ganham com tarifas e serviços paralelos, como seguros e uma carteira diversificada de crédito. Os bancos pequenos costumam remunerar mais porque não possuem toda essa gama para atrair a clientela. É nesse ponto que o conflito começa. Enquanto grandes instituições têm oferecido CDB de até 100% do CDI (10,65% ao ano), as menores oferecem 140% em média (14,91%). Conforme Reportagem publicada nesta quinta-feira (24) em A Tribuna, analistas alertam que a cobertura pelo FGC tem sido usada como propaganda para atrair investidores. A alegação é que o objetivo com o FGC é dar segurança e estabilidade ao mercado, e não para estimular a disposição de correr risco. Esses analistas admitem que a estratégia da propaganda com o uso do FGC ajuda o crescimento dos bancos pequenos, o que desconcentra o mercado. Por outro lado, os clientes aplicam sem se preocupar com a segurança da instituição. O Banco Central tem se mostrado vigilante, exigindo contribuição extra do FGC dos que lançam muitos CDBs. De qualquer forma, o interesse do cidadão precisa ser resguardado, com investimentos estáveis, e que a concorrência seja preservada. Não se deve esquecer ainda que os recursos atraídos pelo CDB vão ser usados na concessão de crédito. Mas, na prática, a distorção dos juros sempre altos no Brasil desestimula a tomada de empréstimo devido ao custo elevado. O certo seria o País conviver com taxas moderadas, e até baixas, para que o investimento financeiro e na atividade produtiva faça a economia crescer de forma equilibrada.