Resultado das eleições de domingo será anunciado primeiro nas cidades com mais de 200 mil eleitores (Luigi Bongiovanni/ArquivoAT) Os resultados das eleições municipais pelo País deixaram bem claro que o centro e a direita avançaram, enquanto a esquerda perdeu espaço, principalmente nas médias e grandes cidades, inclusive no Nordeste. Ainda há capitais com segundo turno, como São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza, enquanto outras já escolheram o prefeito – a expectativa não é animadora para o Governo Federal e seus aliados. Por outro lado, a polarização perdeu o domínio total dos holofotes, apesar de ainda ter sido um fator de peso na disputa pelo voto. Houve divisões no eleitorado conservador ou próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como no Rio de Janeiro e São Paulo, mas o PT colecionou derrotas em seu incontestável reduto, o Nordeste, nos municípios de maior porte. O partido do presidente Lula não foi de todo ruim, pois com a federação, novo artifício das regras eleitorais, ampliou seu total de prefeituras de 179 para 248, mas prejudicando o PCdoB e o PV. Com esse agrupamento, que precisa durar pelo menos quatro anos, as legendas associadas (neste caso, PCdoB, PV e PT) funcionam como uma só sigla, dividindo verbas e horário eleitoral e atuando unidas no Legislativo. O PSOL e Rede também se reuniram, assim como PSDB e Cidadania. Todos eles perderam cidades, no caso dos tucanos, de 512 para 269, aprofundando sua crise. O PSOL recuou de quatro para zero, mas pelo menos está no segundo turno, como em São Paulo, e teve muita visibilidade e elegeu vereadores. Mais à esquerda do PT e bem associado a pautas identitárias, o partido parece ter atraído o voto dos brasileiros mais preocupados com esses temas. A cada eleição municipal que se aproxima, analistas dizem que nesse pleito o cidadão quer discutir sua cidade. Na verdade, houve muita superficialidade, sem debate profundo e realista sobre o impacto do clima nas cidades, como enchentes e seca, e até problemas clássicos, como saúde e educação. Agora os analistas dizem que os resultados do primeiro turno tendem a delinear o próximo Congresso. De imediato, segundo eles, o governo teria que abarcar em sua aliança líderes de peso que saíram derrotados, mas que ainda têm capital político. E que o Centrão se reforçou até perante Bolsonaro e manterá sua pressão sobre Lula. Falta ainda saber o real motivo do petista ter se dedicado pouco à campanha de seus aliados. Não foi descuido nem falta de tempo, mas algo bem pensado, possivelmente para não melindrar uma base que não é tão fiel assim e manter alianças para 2026. Nessas eleições, Lula apoiou legendas com mais chances, como o PSOL em São Paulo, o que pode ter desanimado parte da militância raiz do PT. É preciso aguardar o desfecho do segundo turno no dia 27, mas já há nomes que cresceram politicamente, como João Campos (PSB), em Recife, Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro, e Tarcísio de Freitas (Republicanos), cuja prioridade será reeleger Ricardo Nunes (MDB).