( Unsplash ) O Desenrola Brasil terminou no último dia 31, após atender 6 milhões de endividados, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, lembrando que 14,8 milhões renegociaram seus débitos na primeira fase do programa, encerrada em maio de 2024, conforme o portal g1. Mas as pesquisas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que o endividamento, que atingia 78% dos brasileiros dois anos atrás, cresceu para 82% em julho passado. Por outro lado, possuir dívidas não significa estar inadimplente (contas atrasadas), condição que avançou de 28,8% para 29,8%, também de acordo com a CNC. Os dois Desenrolas e essas pesquisas recomendam que o Governo Federal, bancos (hoje perdendo dinheiro com mais calotes), Congresso e Judiciário precisam buscar uma solução frente a tanta gente no vermelho. A saída mais prática é a gestão petista cortar gastos, acelerando o fim da política restritiva do Banco Central. O resultado, se a inflação voltasse à meta de 3% ao ano (hoje está em 4,44%), seria a queda da taxa básica. Entretanto, em meio à guerra política, admite-se que não há algum lado disposto a sentar para conversar. Analistas dizem que o Desenrola, na prática, ficou longe de atingir as expectativas do governo, porque endividamento e inadimplência continuaram crescendo. Muitas discussões podem ser feitas sobre os motivos desse resultado, inclusive políticos, porque o governo espera obter dividendos eleitorais com o programa. Porém, economistas afirmam que não há como haver redução do endividamento simplesmente porque os juros subiram desde 2024. Hoje a Selic está a 14% ao ano, frente aos 10,5% de dois anos atrás. Dessa forma, o saldo devedor dos consumidores, das empresas e da própria União continuou inflando. Entretanto, é fato que o programa ofereceu descontos e muitos endividados preferiram não aproveitar. Talvez porque temeram assumir uma renegociação com parcelas a pagar, comprometendo o orçamento. Outros possivelmente não compreenderam as vantagens, reflexo da falta de educação financeira. Nesse período, o desemprego atingiu níveis muito baixos, resultando em mais renda. Contudo, a inflação ganhou fôlego desde a pandemia, avançando com as guerras da Ucrânia e com a atual, no Oriente Médio. Desde então, perda de poder aquisitivo e juros altos pressionam duplamente as famílias e as empresas. Os economistas apontam outro fator pró-endividamento – a expansão do Pix e dos bancos digitais. Milhões de brasileiros foram bancarizados (puderam abrir contas) e passaram a acessar linhas de crédito. Hoje, ofertas de empréstimos chegam a todo momento via notificações do celular, um veneno para quem desconhece finanças pessoais ou já está endividado. Apesar de o governo precisar apertar o cinto, também é necessário educar a população e cobrar responsabilidades do setor financeiro na disputa por mercado.