No caso da cesta básica nacional, a lei complementar inclui 22 produtos que não pagarão o futuro Imposto sobre Valor Agregado (IVA) (Valter Campanato/Agência Brasil) O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês passado, divulgado na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com deflação de 0,32%, trouxe a esperança de que o Banco Central vai acelerar a queda da taxa Selic, aliviando o custo do dinheiro para consumidores e empresas. Entretanto, segundo economistas, o BC deverá cortar os juros em somente 0,25 ponto percentual na próxima semana e repetir a dose duas vezes até dezembro. Assim, os atuais 14% recuariam para 13,25%, um nível ainda muito elevado para a economia crescer mais rápido. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De qualquer forma, o recuo do IPCA gradualmente desde março mostra que, aos poucos, o BC vai ganhando a queda de braço com o Governo Lula. A gestão petista lançou desde o ano passado uma série de iniciativas para aquecer o Produto Interno Bruto (PIB). Na prática, os resultados vieram, se comparados com a maioria dos países relevantes no mundo, que sofre com efeitos econômicos da energia mais cara devido às guerras da Ucrânia e do Oriente Médio e à loucura tarifária do americano Donald Trump. Medidas como incremento de recursos ao Minha Casa, Minha Vida, aceleração das concessões de infraestrutura e reforço de programas sociais são bem-vindas. Porém, a estratégia da gestão federal mira as eleições, prejudica o equilíbrio das contas públicas, sob risco de ter que fazer cortes profundos. Os objetivos eleitorais são próprios da democracia e da disputa política, mas os governos precisam seguir à risca as regras fiscais, aperfeiçoando-as se necessário. Aliás, uma austeridade bem definida pelo Palácio do Planalto serve de base para as gestões estaduais e municipais, beneficiando o bolso dos contribuintes. O recuo atual do IPCA não pode ser visto como alívio definitivo, com economistas afirmando que a fase de quedas pode cessar neste mês. Em agosto, o abatimento na conta de luz garantido pelo bônus de Itaipu, resultado da distribuição do saldo de comercialização da usina, levou à deflação. Contudo, gasolina, passagens aéreas, café, ovo e outros alimentos também derrubaram a inflação. Mas a chegada do calor e talvez do El Niño poderão realimentar o IPCA. Há ainda vários serviços cujos preços não caíram ou se estabilizaram, tal como no restante da economia. Por outro lado, os analistas ainda dizem que o mercado de trabalho tem gerado menos emprego, mas a renda continua avançando, o que o BC considera uma pressão para subida futura de preços. Na prática, a rigidez da política monetária do BC vai continuar no próximo ano – espera-se que com uma potência menor. O melhor para o País é não tentar adotar medidas criativas, que costumam dar errado, nem atacar o BC. A autoridade monetária não é a causa do problema. É preciso reduzir a gastança, e isso vale não só para a União, mas também para estados e municípios e Legislativo e Judiciário. Não há como cortar muito os juros continuando a gastar mais do que se arrecada.