O mercado de trabalho alimentou o consumo e o pagamento de dívidas (Reprodução/Pixabay) Com a queda do desemprego no Brasil, de 7,8% em 2023 para 6,6% no ano passado, 14 estados alcançaram seus menores níveis de desocupação na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se de um resultado impressionante em curto espaço de tempo, reflexo de uma recuperação econômica vigorosa, apesar da inflação, seca e chuvas intensas. O agronegócio teve um ano fraco devido ao clima e com cotações mais baixas, mas o saldo comercial (exportações menos importações), mesmo em queda, foi o segundo maior, de US\$ 74 bilhões. Além disso, o governo injetou muito dinheiro na economia via reajuste do salário mínimo acima da inflação e dos programas sociais. Nesse contexto, o mercado de trabalho alimentou o consumo e o pagamento de dívidas. Aliás, segundo as últimas pesquisas, com mais dinheiro, algumas famílias reservaram parte de suas rendas para diminuir seu endividamento, o que inicialmente as tira do mercado consumidor, mas abre expectativa para uma retomada mais sustentável do comércio no médio prazo. Na Pnad Contínua, os estados que se destacaram no ano passado foram Mato Grosso, com 2,6% de desemprego, Santa Catarina (2,9%) e Rondônia (3,3%). São Paulo registrou 6,2%. Os três mais bem colocados passam por uma situação de pleno emprego, típica de países desenvolvidos sem crises econômicas, quando se encontra vaga quase que imediatamente após a demissão. Essas unidades da federação em melhor situação têm em comum uma forte presença do agronegócio, que mesmo fragilizado continuou gerando renda de forma contundente. Os estados que registraram mais desemprego no ano passado foram Bahia e Pernambuco, com 10,8%, e o Distrito Federal, com 9,6%. O Rio de Janeiro pontuou com 9,3%. Mesmo assim, esses percentuais estão em situação melhor do que o do desempenho nacional, entre 2016 e 2022, sempre acima de 11%, com pico de 14,9% no primeiro trimestre de 2021. Observando mais estados, o desemprego em níveis elevados concentra-se no Nordeste e Norte, reforçando a situação de pobreza. Portanto, paralelamente aos programas de transferência de renda, como Bolsa Família, o governo precisa desenvolver políticas econômicas para o desenvolvimento localizado, que pode ser o próprio agronegócio. Por exemplo, o Piauí, que tem ampliado a produção de soja e investido em educação, registrou desemprego de 7,2%. Deve-se lembrar ainda que o agronegócio gera consumo para o comércio e estimula a produção de máquinas e prestação de serviços. Há outros segmentos de grande potencial, como turismo, a indústria de equipamentos para energia limpa e a demanda de pessoal para novas tecnologias, o que exige ensino de qualidade. Sem planejamento, o País seguirá dependente das condições climáticas, do dólar atraente às exportações e dos humores inflacionários.