(Joédson Alves/Agência Brasil) Os números das pesquisas de entidades como Serasa, SPC Brasil e Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), entre outras, mostram que o endividamento continua como um dos principais fatores contrários ao crescimento mais robusto do Produto Interno Bruto (PIB). A Serasa apontou em maio que 72 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, o que é um dado assustador. Nessa condição, o consumidor não consegue crédito, condição essencial para aumentar as vendas do comércio e os investimentos das empresas. Entretanto, os levantamentos dos últimos meses apontaram para uma queda do nível de negativados no País, um efeito da melhora do mercado de trabalho e do recuo dos juros. A recuperação também pode ser atribuída ao programa Desenrola Brasil, do Governo Federal, de renegociação, beneficiando principalmente a baixa renda. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No caso de Santos, a pesquisa da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Crédito), apontou recuo de 7,14% da inadimplência santista no acumulado dos últimos 12 meses até maio, conforme A Tribuna publicou ontem. Houve ainda uma queda de 0,66% na comparação com abril. Conforme o estudo, os negativados santistas devem em média R\$ 5.897,27, um pouco mais de quatro salários mínimos. Por tamanho de saldo devedor, 49,9% dos endividados estão concentrados nas duas faixas mais altas, de R\$ 2,5 mil a R\$ 7,5 mil e acima de R\$ 7,5 mil. Portanto, ainda há um sério comprometimento da população com dívidas, sem capacidade de consumo, o que é péssimo para o comércio local. Por faixa etária, o grupo de 50 a 64 anos é a mais endividado, com 23,94% dos devedores, uma situação que o professor de Economia Regional e Urbana da Unifesp, Paulo de Sá Porto, relaciona com a possibilidade do uso da aposentadoria como garantia. Trata-se do fenômeno do empréstimo consignado, com pais e avós muitas vezes cedendo aos pedidos de parentes mais jovens, o que resulta em um efeito muito ruim para os idosos, que é a redução mensal da renda. O alto endividamento está relacionado às elevadas taxas de juros do País, lembrando que o financiamento é historicamente caro no Brasil. Simultaneamente, as linhas mais acessíveis ao consumidor e pequenas empresas são as que têm as maiores taxas, o cheque especial e o cartão de crédito. Entretanto, as crises dos anos 2010 e a expansão do desemprego, como afirmou o professor, seguida do período da pandemia, transformaram a inadimplência em um problema crônico na economia. Portanto, ao mesmo tempo em que é preciso estimular a volta dos endividados à capacidade de consumo, o País precisa crescer de forma prolongada e sustentável. Isso tem total relação com nível da taxa Selic e a redução do gasto público, este último com profundo impacto sobre os juros praticados no País.