(Vanessa Rodrigues/AT) As eleições locais são um dos períodos mais ricos dos municípios para análises e reflexões que vão além da escolha de prefeitos e vereadores. O recado que as urnas proporcionam serve - ou deveria servir - para que valores, medidas, comportamentos e alianças sejam revisitados tanto pelos que estão na situação como por aqueles que pleiteiam assumir um cargo público. Em Santos, Rogério Santos (Republicanos) foi reeleito com quase 54% dos votos. Guarujá elegeu Farid Madi (Podemos) com 55,38% dos votos e retornará ao comando do município 16 anos depois do fim de seu primeiro mandato. Os últimos dias foram de campanha acirrada em ambos os municípios, com troca de acusações e um derrame de informações e denúncias que torna impossível a checagem imediata pelo eleitor para aferir a veracidade de cada fato. Santos merece uma análise mais apurada e detalhada dos resultados. Há duas décadas não havia segundo turno nas eleições municipais e, embora tenha ocorrido a reeleição do atual prefeito, Rogério Santos, a diferença de pouco mais de 15 mil votos para a segunda colocada, Rosana Valle (PL), precisa ser considerada para eventuais ajustes de políticas de governo nos próximos quatro anos. Esse é o momento para cruzar os dados da apuração com a geografia da cidade, analisando os territórios em que o desempenho não foi bom. É, também, o momento para entender melhor as reivindicações da população e corrigir as falhas, consolidar os avanços e protagonismos em muitas áreas, mas também entender que, como disseram ambos os candidatos, “não há cidade pronta”. Outro dado que impacta na análise do segundo turno é o total de abstenções, que cresceu em relação a 7 de outubro. Quase 120 mil santistas deixaram de ir às urnas neste domingo, mais de 30% do total de eleitores, ou quase o mesmo número do apurado para o candidato vencedor. Entender as razões pelas quais tantos santistas optaram por não votar é imprescindível para que as políticas públicas alcancem a todos, até mesmo aqueles que não enxergavam entre as duas opções alguém que pudesse responder por seus anseios. Esse foi o maior índice já verificado em eleição municipal em Santos. Rogério Santos teve renovada a confiança do santista em sua forma de comandar a cidade e deve, agora, recolher o máximo de informação possível para refinar as ações nos próximos quatro anos. Em Guarujá, Farid Madi recebeu de volta o comando da cidade que já esteve em suas mãos entre 2005 e 2008. Segurança, a revalorização da indústria do turismo e a criação de condições para que as atividades portuárias se desenvolvam devem estar em seu radar, devolvendo ao município o status de destino preferido de milhares de visitantes. Agora é o momento de planejar ações concretas que respondam às demandas apresentadas durante a campanha, consolidando projetos que promovam o desenvolvimento regional e melhorem a qualidade de vida da população.