[[legacy_image_38148]] As notícias de fuga de multinacionais ou, no caso das companhias brasileiras, de incorporação de rivais, tem pouco a ver com uma expectativa de exuberância na economia e mais com as perdas com a pandemia. Entretanto, há outros fatores preocupantes que se entrelaçam, como um produto nacional mais caro que não consegue competir com o importado e o empobrecimento da população, que não encontra bons empregos porque a economia não cresce forte há uma década. A covid-19 tem um efeito repressivo imediato, mas o centro do problema brasileiro do baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é das últimas décadas. Trata-se do custo Brasil, causado pela carga tributária elevada, má formação da mão de obra, infraestrutura deteriorada e corrupção, completando esse pacote que torna o produto nacional mais caro que o concorrente externo. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Há ainda o crédito, cujos juros caíram, mas que persiste restrito com o risco de calote sempre impedindo o aumento da oferta dos empréstimos. Uma economia robusta e estável é fundamental para manter esse pilar capitalista, entretanto, é urgente estimular a competição entre os bancos – um caminho para isso é dar mais ânimo às fintechs, startups de finanças, inovadoras e que precisam de liberdade regulatória para continuarem sua saga desafiadora do sistema. Por isso, é de fundamental importância que o Governo Federal e também o paulista, que concentra a indústria brasileira, invistam em um trabalho contínuo (e de Estado, que não acaba de um governo para outro) de reduzir o custo Brasil. Isso passa pela reforma tributária em longa discussão no Congresso. A ideia é ler no dia 3 um texto comum com as propostas já apresentadas. O que preocupa é que o Parlamento está mais voltado para questões de arrecadação e menos do cidadão comum e das empresas. O esforço é por simplificar o sistema para melhorar o recolhimento de impostos, sem discutir um tamanho de Estado que possa reduzir a carga tributária. Nesse pacote, também é preciso combater a corrupção, que encarece o aparato estatal, além de prejudicar a meritocracia do funcionalismo e a livre competição entre as empresas. É preciso reforçar as instituições que lidam com esse problema, uma evolução naturalmente lenta, mas que seja contínua. O sistema de transportes, com incremento da malha ferroviária, mais barata, e a modernização do ensino, mais voltada às mudanças tecnológicas e conectadas às necessidades individuais e do mundo dos negócios, também precisam receber mais investimentos. O Brasil foi recém-excluído do clube das dez maiores economias e continua caindo mais posições. Isso é reflexo da década passada, quando o País apenas se arrastou. Não fez reformas e não combateu seus problemas, sustentando-se na expansão do Estado. Não deu certo. Sem a inversão do rumo, o empobrecimento se tornará estrutural e não um efeito apenas do momento.