[[legacy_image_212839]] Com a apuração do primeiro turno, a composição dos partidos indicou um Parlamento conservador nos costumes e liberal na economia. Entretanto, o Senado merece uma análise à parte, lembrando que esta casa foi renovada em apenas um terço. Dos atuais 22 partidos representados em suas 81 cadeiras, no próximo ano serão 15, o que vai facilitar a negociação de blocos ou bancadas, apesar das dificuldades típicas do Congresso brasileiro, com pulverização de siglas e baixa identificação ideológica entre o parlamentar e sua agremiação, que muitas vezes serve para interesses eleitorais de curto prazo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O balanço é de que o PL será o maior partido do Senado, com 13 integrantes. O PL, entretanto, pode ser superado caso se confirme a fusão do União Brasil, com 12, e o PP, com sete. Da esquerda, o PT é o maior, com nove, enquanto o PDT tem dois e a Rede e o PSB, um cada. Também se destacam o MDB e o PSD, com dez cada. O restante do Senado será composto por Podemos (seis), PSDB (quatro), Republicanos (três) e os com apenas um senador – Cidadania, Pros e PSC. Apesar de não haver garantia de fidelidade ideológica, a concentração de cadeiras no PL e União-PP sugerem uma maior facilidade para o presidente Jair Bolsonaro (PL) se ele for o vencedor, e mais dificuldade para o ex-presidente Lula, caso seja o eleito. Porém, as siglas geralmente de centro, como MDB e PSDB, poderão se unir ao petista se ele, por força da campanha eleitoral, se afastar das propostas mais à esquerda para conseguir arregimentar apoio. Mas o sistema de partidos no Brasil é uma incógnita e a posição do senador vai depender muito de seu reduto e da ambição para as próximas eleições e menos de sua consciência ideológica. Senadores são parlamentares mais maduros e experientes na política. Marcos Pontes (PL-SP) e Damares (Republicanos-DF) são novidade, mas ele já estrearam como ministros na vida pública e têm algum traquejo com a imprensa e a pressão das redes sociais e dos bastidores de Brasília. Assim como na Câmara, o Senado também passa pelo fenômeno das bancadas temáticas, cujos interesses se cruzam. As frentes evangélica, da segurança pública e ruralista, entre outras, têm uma força incontestável e paralela à dos partidos. Segundo o jornal Valor, o agrupamento do agronegócio poderá ser o mais influente no Senado, com 40 cadeiras a partir do próximo ano – metade menos um do total. Na Câmara, a expectativa é de 158 ruralistas, do total de 513, portanto, abaixo ainda da maioria. De qualquer forma, os ruralistas serão um desafio para o ocupante do Palácio do Planalto. Por último, resta saber quem será o presidente do Senado. O atual Rodrigo Pacheco (PSD-MG) se afastou do Governo estrategicamente e espera ser reconduzido em caso de vitória de Lula. Bolsonaro tem reclamado de Pacheco. Mas políticos mineiros são craques em bastidores – isso se não aparecer um concorrente mais forte.