(Reprodução/X) Esta semana tem sido a mais difícil para o presidente americano Donald Trump desde que tomou posse, quando passou a impor medidas e ameaças contra outros governos. A estratégia foi traçada durante a campanha eleitoral e, apesar de conhecida, sua agressividade mexeu com o mundo. Seus problemas se dão no campo da economia, exatamente o que o republicano dizia ser o mais preparado. Ele prometeu aplicar duras tarifas a qualquer país que não colaborasse com seus objetivos – reindustrializar os EUA, estimular as exportações e combater a imigração ilegal e o fentanil. Para isso, Trump deixou de lado a diplomacia e as instituições multilaterais, organismos muitas vezes lentos e sem consenso, mas que são o meio mais civilizado para resolver disputas internacionais. Na economia, a estratégia de Trump é subir as tarifas sobre importações, forçando negociações. Porém, elas não podem ser apenas jogo de cena, porque o então candidato prometeu trazer de volta para os EUA as indústrias que saíram do país para locais mais baratos, uma fuga de fábricas que transformou a China na segunda potência econômica do mundo. Contudo, sobretaxas causam o efeito colateral da inflação, que derrubou a popularidade do então presidente Joe Biden e dos governos europeus e que corroeu o apoio ao Governo Lula. No fim de semana, Trump não descartou uma recessão como resultado de suas políticas. Na última segunda-feira, com a afirmação de Trump coincidindo com dados apontando uma economia em desaceleração, as bolsas americanas despencaram. A Nasdaq, que reúne as ações das gigantes da tecnologia, caiu 4%, enquanto a Tesla, de Elon Musk, que trabalha na Casa Branca, perdeu 15%. Economistas passaram a acusar Trump de desorganizar as cadeias de produção mundiais, como na pandemia e com a guerra da Ucrânia. Como o republicano não deixa claro até onde irá com essas tarifas, às vezes dobrando percentual, em outras suspendendo-as por 30 dias, os empresários dizem que ficaram desnorteados. Assim, não sabem se seus custos subirão, perdendo a confiança para investir. É possível que essa crise se revele passageira, caso Trump seja hábil para recuar ou usar seu poder de comunicação para explicar para onde levará seu governo. O Brasil já está entre os países com tarifas elevadas, sobre o aço e o alumínio, mas escapou do furacão, onde estão Canadá, México e China. Mas a confusão tarifária também vai provocar mudanças nas trocas do Brasil com outras economias, talvez reduzindo a balança comercial. O presidente Lula tem feito críticas a Trump, sem grande repercussão na Casa Branca, mas é bom não abusar. Lula precisa evitar a discussão pública e centrar força na negociação, pois o agronegócio também pode ser sobretaxado. Os EUA são um país estável, com instituições fortes, que devem sobreviver ao estilo trumpista. A melhor saída é aguardar como os americanos vão reagir a quatro anos de Trump no poder.