(Marcelo Camargo/Agência Brasil) O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse no último dia 9, em evento da ApexBrasil, que o País precisa ter pressa para acelerar sua inserção nos mercados mundiais. Porém, o governo deveria fazer sua parte para melhorar a infraestrutura do País, ainda caótica, como forma de conquistar eficiência no comércio. De pouco adianta o setor portuário fazer investimentos, assim como o agronegócio, se permanecem gargalos e custos elevados no transporte da produção no Interior até os terminais. A oferta de energia é outra vulnerabilidade da economia brasileira. As autoridades federais vêm discutindo a transição dos combustíveis fósseis para as fontes limpas, mas se teme morosidade na efetivação da mudança. Basta observar o gás natural, ainda não adotado em larga escala em São Paulo, apesar de ser abundante no mar. Esse produto é extraído em grande quantidade do pré-sal juntamente com o petróleo e, sem uso, é queimado, poluindo a atmosfera, ou, nos últimos anos, reinjetado, um avanço tecnológico da Petrobras. Porém, o setor privado precisa de segurança para fazer essa migração, sem risco de faltar o combustível, enquanto o lado da oferta teme investir pesado e não haver consumo. Obviamente que essa virada de chave precisa ser planejada pelo poder público. Há acordo de fornecimento com a Argentina, que também depende de infraestrutura, o que pode levar anos. O descompasso da infraestrutura com o desenvolvimento do agronegócio impressiona. A colheita é a parte mais conhecida desse setor, que se diversificou a ponto de movimentar a indústria, o comércio, serviços e o mercado financeiro. A começar pelos fertilizantes, que em boa parte são importados e que o governo pelo menos tem estimulado sua nacionalização. Há ainda o desenvolvimento de sementes e defensivos, e varejistas que vendem esses produtos e máquinas, o que aquece a indústria. Fundos imobiliários investem em silos para alugá-los aos agricultores, que assim empatam menos dinheiro. Já o setor financeiro ampliou as operações com títulos emitidos por grupos rurais, atraindo capital extra ao campo, reduzindo a dependência do crédito dos bancos. Porém, todo esse avanço, em parte, é anulado pela demora do setor público há muitos anos de dar prioridade à infraestrutura. A cada governo, vários projetos e programas são lançados. Entretanto, observando-se ao longo das décadas, o País patinou na comparação, por exemplo, com a China e Coreia do Sul, que são diferentes economicamente do Brasil, mas que saíram do médio desenvolvimento via rápido crescimento. Faz-se agora a reforma tributária profunda, mas o dever de casa não foi realizado por completo. A indústria e o cidadão comum também precisam da infraestrutura, que segue defasada, prejudicando o desenvolvimento do Interior – parte dele isolado do capital financeiro e empresarial pelo desentrosamento com as metrópoles.