(Imagem ilustrativa/ Pixabay) Com a disputa travada entre a Justiça brasileira e o X no ano passada, a briga do governo americano com o TikTok, que deve levar ao banimento da plataforma chinesa nos EUA, e o fim da política de verificação independente de fatos determinada por Mark Zuckerberg, CEO da Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp), não há dúvida de que as redes sociais centralizam as atenções mundiais. São meios que geram ódio, sofrimento, diversão, pequenos e grandes negócios e até suicídio (conforme audiência no Congresso americano) – e são incrivelmente populares. Modificadoras de comportamentos, por meio de seus algoritmos aproximam usuários com interesses iguais, formando bolhas, também aproveitadas por empresas para fisgar diretamente potenciais clientes. Na política, as redes sociais são avassaladoras, como sente na pele o Governo Lula, tornando-se meio de propagação de notícias falsas e ideias extremistas. Mas também são uma forma, se bem utilizadas, de disseminar informações e campanhas construtivas como nunca se viu. Por isso, com paradoxos, falhas e vantagens ao mesmo tempo, estão na mira da imposição de regras, sendo defendidas pelos contrários a qualquer regulação. No caso dos EUA, o TikTok foi punido porque a Suprema Corte entendeu que a lei americana pelo banimento do aplicativo está correta ao decretar que a ByteDance, controladora chinesa da rede social, é obrigada a colaborar com a inteligência de Pequim. No Brasil, o X teve que se adequar às ordens da Justiça pelo bloqueio de contas. Deste modo, as redes sociais, que a rigor não são novas, lançadas há quase 20 anos, no caso das que conquistaram fama, mantêm a característica principal de uma startup – quebrar paradigmas. Elas acabaram com muitos negócios estabelecidos e com sólidos mercados, introduzindo novidades que geraram ganho de produtividade e conectaram comunidades e povos no mundo todo. Mas assim como outros setores da economia, também têm seus momentos de mortalidade ou perda de influência, como Orkut e MySpace. Por isso, as maiores usam os capitais gigantescos que angariaram no mercado para investir em mais inovação e também comprar concorrentes. Daí o risco de formação de grupos poderosos, que nos EUA têm ampliado a discussão sobre a necessidade de regulá-los pelo menos no âmbito comercial. Algo desse modo foi feito nos mesmos EUA no fim do século 19, quando a industrialização e o capitalismo financeiro geraram grande poder concentrado em sobrenomes como Rockfeller (petróleo), Carnegie (aço), Morgan (banco) e Gould (bolsa de valores). Vieram as leis antitruste, quebrando muitos negócios em vários pedaços. As redes sociais são revolucionárias, mas não podem virar ferramentas para destruir a democracia, causar sofrimento ou isolar perseguir opostos. A regulação é tarefa difícil e polêmica, porém, a sociedade precisa discutir como isso pode ser feito, sem sufocar as incríveis qualidades desse meio.