[[legacy_image_154700]] A prioridade frente à invasão inaceitável da Ucrânia pela Rússia é acelerar uma solução diplomática para impedir a perda de mais vidas. Entretanto, a tensão não desaparecerá por completo, assim como os planos de Vladimir Putin de expandir seus domínios para as antigas fronteiras da União Soviética. Na economia, o ponto mais sensível é o petróleo, o que deve impedir o Brasil de escapar dessa crise. Daí a importância do Itamaraty de evitar discursos improvisados ou arriscados por parte do Palácio do Planalto. Em meio às sanções que as potências do Ocidente usam para conter a agressão aos ucranianos ainda não está o embargo do petróleo ou do gás, uma medida radical que vai atingir os próprios europeus e americanos. Seus governos já sentem a irritação de seus eleitores pela inflação nos supermercados e nos postos de combustíveis. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! As cotações do barril nos últimos tempos mostram como o petróleo pode ser explosivo para a economia. Ele saltou de US\$ 60 em março de 2021 para US\$ 80 no fim do mesmo ano. No acumulado dos últimos 12 meses, subiu 41%, chegando na sexta-feira a US\$ 94 (no meio da semana chegou a bater em US\$ 105). Desde 1o de janeiro até agora já avançou 25% e, apenas após 1o de fevereiro, 7,37%. Para o Brasil, a situação só não é pior porque o dólar já acumula uma queda de 7% desde janeiro, reflexo do ingresso de quase US\$ 50 bilhões de investidores estrangeiros no Brasil para investir em juros altos ou comprar ações de empresas muito mais desvalorizadas que as suas equivalentes nos outros emergentes. A causa da instabilidade do petróleo mais conhecida é a geopolítica do Oriente Médio, mas a Rússia, que produz um décimo da commodity no mundo, é o fator de risco mais importante agora. No médio prazo há atenuantes – Estados Unidos e Irã estão próximos de assinar o fim do embargo do produto iraniano e os EUA voltaram a investir no xisto, que tem custos elevados, mas que fica vantajoso quando o petróleo sobe sem parar. Mas no curto prazo será difícil atender a demanda se a Rússia sofrer sanções no setor de energia. Considera-se ainda uma pressão extra, que é a economia mundial se recuperar mais forte do que o esperado, o que subiria o preço dos combustíveis. Em um momento de grande tensão, no Brasil há o fato da Petrobras ser uma estatal, que apesar de ter saído de seus piores momentos, ainda possui uma dívida monumental e necessita de capitais para explorar o pré-sal, que é de alto custo. Além disso, a empresa é alvo de críticas do próprio governo e está no radar do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que pode por em votação medidas que interferem nesse mercado sem garantia de baratear os combustíveis, pois o petróleo, oscila com incrível facilidade. No fim das contas, a p[EDITORIAL]olítica interna e a externa, por meio da inflação dos combustíveis, poderá dificultar a recuperação econômica do pós-pandemia.