[[legacy_image_278721]] Ainda há muitas dúvidas de como realmente funcionará a política de preços da Petrobras, mas é certo que o governo tem agora muita sorte, porque de fato não há uma pressão externa via preço do barril. Dos US\$ 127 cobrados em 2021 pelo tipo Brent (referência usada pela Petrobras), o produto está agora a US\$ 75, com a expectativa de analistas do mercado financeiro que caia para a faixa entre US\$ 58 e US\$ 62. Portanto, metade do que estava há dois anos. Dessa forma, se essa tendência de cotações baratas se confirmar, acertam os analistas mais irônicos que dizem que o presidente Lula costuma ter sorte em relação à economia internacional. Seu primeiro governo surfou na onda das commodities (produtos minerais e agropecuários com preço definido em bolsa), insuflada pelo crescimento ímpar da China, mas seu segundo mandato foi alvejado pela gigantesca crise financeira de 2008. Entretanto, o preço do petróleo mais em conta é uma “quase” boa notícia, pois seu atual patamar é reflexo de um crescimento mundial mais lento ou recessivo em alguns países, como a Alemanha. A principal preocupação é a China, que perdeu o vigor, pois sua expansão agora é estimada em 3% e, mesmo que se recupere, não atingirá a força do crescimento anual de 8% que a levou ao posto de segunda potência econômica. Esse desempenho do país asiático (e também dos Estados Unidos e Europa) não é favorável ao Brasil, porque isso também causa a queda das cotações das outras commodities, como alimentos e minério de ferro, além do próprio petróleo. Como o agronegócio garantiu um avanço do Produto Interno Bruto acima do esperado do Brasil no primeiro trimestre, é previsível que daqui para frente o efeito dos preços mais baixos seja sentido pelos exportadores, lembrando que a Petrobras também vende ao exterior boa parte de sua produção. Portanto, o governo precisa agir com muita responsabilidade neste momento decisivo, com chances de aprovar no Congresso temas fundamentais para a economia, como o arcabouço fiscal (substituto do teto de gastos) e a reforma tributária, ao mesmo tempo em que a inflação se situa em queda consolidada. O presidente Lula, com uma agenda internacional muito pesada, precisa se esforçar na formação da base aliada no Congresso e não abusar da expansão do investimento público, pois o caixa do governo tem limites. Porém, a Petrobras é um caso especial, pois seu desempenho é fundamental para toda a economia brasileira. Não se deve esquecer de que a subida recente dos combustíveis se espalhou pelos outros setores e aqueceu a inflação, que só agora parece ter sido debelada. É importante que a estatal não faça um simples represamento de custos, afinal a cotação do petróleo poderá voltar a subir no próximo ano ou por qualquer evento geopolítico. Por isso, a necessidade de se acompanhar a política de preços da estatal.