Hoje, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) deverá fechar o Campus Santos, na antiga escola Cesário Bastos, na Vila Mathias (Matheus Tagé/Arquivo AT) Hoje, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) deverá fechar o Campus Santos, na antiga escola Cesário Bastos, na Vila Mathias, conforme A Tribuna publicou na última quarta-feira. Na área de ensino, as atividades já estavam encerradas há bom tempo, com a extinção do curso de Engenharia de Petróleo. Segundo a Poli-USP, houve queda de interesse, de 43 inscritos por vaga no vestibular de 2012 para apenas um candidato com primeira opção por Engenharia de Petróleo em 2019. Agora, sete funcionários contestam na Justiça a mudança compulsória do local de trabalho para a Capital. Até 2026, somente um laboratório funcionará na Cidade. A chegada do curso a Santos veio no rastro da euforia que tomou a região após a descoberta do petróleo na Bacia de Santos. Tempos depois, a Petrobras enfrentou escândalos de corrupção, mas adotou medidas para se reerguer, revisando investimentos, como focar no pré-sal da Bacia de Santos, por ser mais lucrativo, e saneando uma gigantesca dívida. Hoje, a empresa tem expandido seus objetivos, incluindo os derivados e outras fronteiras de exploração em seu plano, e já registra um caixa muito abastecido pela produção das plataformas. Em consequência, o País se tornou um dos dez maiores produtores de petróleo, que superou a soja como principal item das exportações do País. Entretanto, frustrou-se a ideia de transformar Santos na capital do petróleo. Essa aposta inicial trouxe investimentos imobiliários e discussões sobre como esse desenvolvimento poderia ser potencializado. Um dos primeiros desejos foram os estaleiros, que acabaram indo para outros estados, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, e depois entraram em crise. Houve ainda a ideia de atrair indústrias de equipamentos petrolíferos para o Estado e a tentativa de instalar uma área de manutenção ou suprimentos por aqui. Porém, a companhia, em sua reestruturação, dividiu as suas operações de apoio em Santos, onde há uma importante unidade no Valongo, com o Rio de Janeiro, sem depender de uma nova megaestrutura paulista. No fim das contas, a estatal fez o que as grandes companhias de diferentes setores têm feito, que é aproveitar as novas tecnologias para reduzir custos e melhorar a gestão. Não se trata de apontar culpados, porque a economia tem seu próprio ritmo. Mas se constata uma grande dificuldade do País para realizar projetos amplos, bem estruturados e de alto custo por um prazo prolongado. Depois da descoberta de petróleo em 2006, o Brasil intercalou recessão com baixo crescimento e a inflação voltou várias vezes, assim como o juro alto. E ainda veio a crise fiscal de Dilma Rousseff, seguida de impeachment. Por enquanto, o País segue como potência das commodities, sem eficiência para expandir atividades em cadeia de alto valor agregado a um ritmo que outros países conseguem, como a China e as economias desenvolvidas.