[[legacy_image_253983]] Apesar dos riscos que uma desconfiança com uma grande instituição como o Credit Suisse traz, aventou-se que os bancos centrais revisarão suas políticas de juros altos contra a inflação. No Brasil, o Banco Central poderia até aproveitar o momento para avaliar cortes da Selic, alegando como motivo potencial crise no crédito e não porque o presidente Lula o pressionou. Porém, se todas as autoridades monetárias seguirem pelo caminho de amenizar a dosagem das taxas, os preços não vão perder o ímpeto da subida. O BCE (BC Europeu) adotou ontem aumento de 0,50 ponto, dando prioridade à inflação. O problema do Credit Suisse é bem diferente do Silicon Valley e Signature, que quebraram nos EUA. Essas duas instituições tinham títulos públicos, que precisaram ser vendidos para cobrir os saques dos clientes – startups que não conseguem mais crédito barato e necessitam usar seus recursos. Porém, os treasuries (os tais títulos) perderam valor, porque os papéis novos agora pagam juros mais altos. O resultado: Silicon e Signature ficaram sem caixa para honrar seus compromissos. No caso do Credit Suisse, trata-se de um gigante bancário, inclusive grande gestor de fortunas e de fundos no Brasil. Como disse o economista Nouriel Roubini, “é grande demais para quebrar, mas muito grande para ser salvo”. Ontem, o SNB (BC suíço) liberou US\$ 53,7 bilhões ao Credit Suisse, forma de dissipar a desconfiança de que não terá recursos para saques. A crise do suíço não é nova, inclusive com fraudes. O derretimento nas bolsas na quarta-feira (ontem suas ações subiram com a notícia da injeção do SNB) vem de uma sequência de fatos recentes. Autoridades dos EUA questionaram dados do banco, que decidiu adiar a divulgação do balanço, após alerta da auditoria PwC. A queda no precipício foi a recusa do principal acionista, o Saudi National Bank, de fazer um aporte. O pânico se espalhou, com medo de uma quebra em série na Europa ao mesmo tempo em que há um fuga de clientes dos bancos médios americanos (desde o Silicon). O temor mundial esfriou (mas não acabou de vez) com a decisão do SNB de apoiar o Credit Suisse. Entretanto, o banco terá um preço a pagar, que deverá ser uma reestruturação ou incorporação por concorrentes, pois tem muitos negócios e tentáculos no mundo todo. No fim das contas, Roubini acerta com suas palavras – os governos não querem deixar um banco desse tamanho quebrar, sob risco de impactar os investimentos de seus clientes e de quem depende de crédito, mas também não devem perdoá-lo por completo. Por via das dúvidas, defendeu-se que os BCs deveriam suspender o aperto com juros para evitar uma crise no crédito, que ampliaria uma recessão que parece inevitável. No Brasil, o caso Americanas e Selic de 13,75% azedaram a oferta de empréstimos. É uma oportunidade para pisar no freio, mas para observar. Porém, jamais se deve esquecer do perigo da inflação.