(Unsplash) Enquanto em Brasília o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) discutem porte de maconha e criminalização de drogas em geral, algo que necessariamente não resolve a questão do consumo, pesquisadores de São Paulo relatam a identificação no País de substâncias sintéticas superviciantes, conforme reportagem publicada ontem em A Tribuna. Trata-se do nitazeno, um opioide usado no tratamento de dor intensa causada, por exemplo, pelo câncer. Porém, associado a drogas sintéticas, causa grande dependência. Isso é gravíssimo e se espera que as autoridades policiais estejam atentas a esse levantamento, principalmente pela devastante epidemia do fentanil nos Estados Unidos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Deve-se ressaltar que esses produtos são medicamentos importantes para aliviar pacientes em situação de sofrimento, ministrados legalmente. O fentanil, porém, passou a ser misturado com cocaína ou heroína, resultando em 300 mortes por overdose por dia nos EUA. No Brasil, a substância já foi apreendida em operações policiais, sinal de que começou a se espalhar. Nos EUA, impressionam as imagens de usuários em transe, rastejantes nas ruas das cidades. No Brasil, o nitazeno foi identificado em drogas por pesquisadores da USP e Unicamp. Esses cientistas, que trabalharam em conjunto com a política científica paulista, acharam opioides misturados a ervas e pílulas apreendidas entre julho de 2022 e abril de 2023. Do total, 95% eram nitazeno. Segundo a pesquisa, ao mesmo tempo em que no últimos dois anos a apreensão desse produto aumentou, as internações relacionadas a opioides no Sistema Único de Saúde (SUS) também avançaram. De acordo com a reportagem, os médicos em geral prescrevem não opioides, como dipirona e paracetamol, para tratar dor, com os opioides ministrados somente em casos necessários. O uso indevido do nitazeno preocupa porque ele é 20 vezes mais potente que o fentanil, anestésico que supera em 50 vezes a heroína e 100 a cocaína. De acordo com a psiquiatra do Hospital das Clínicas da USP Maria Amália Pedrosa, o nitazeno traz alto risco de dependência devido à necessidade de mais doses para gerar o mesmo efeito. Ele proporciona bem-estar, mas leva a paradas cardiorrespiratórias. Poucas quantidades já são suficientes para uma overdose, muito difícil de ser socorrida pelos médicos. Por isso, Legislativo e governos precisam ser mais precisos e atualizados nas questões das drogas, preocupando-se menos em marcar posição nas redes sociais. A ação policial é fundamental – no caso do fentanil, o tráfico da substância misturada a drogas é controlado pelos cartéis mexicanos nos EUA. Entretanto, a questão médica é prioritária, tanto para os médicos identificarem casos nessa linha que chegarem aos hospitais ou para entender porque muitos na sociedade buscam substâncias sintéticas para ter alívios ou sensações de prazer nos tempos atuais.