[[legacy_image_339656]] Com quase 104 mil imóveis vistoriados na Baixada Santista, as prefeituras da região tentam impedir o avanço implacável da dengue. Historicamente, a doença atinge picos de infecção entre março e abril, portanto, é mais do que necessário o rigor das autoridades contra quem propicia a proliferação do mosquito transmissor Aedes aegypti. Conforme A Tribuna publicou ontem, já foram identificados 24,4 mil focos do inseto em sete cidades (Itanhaém e Guarujá não entraram na conta). Já há 1.875 casos notificados, com seis óbitos sob investigação. Além disso, foram identificados 41 infectados pela chikungunya e felizmente nenhum pela zika – ambas também transmitidas pelo Aedes aegypti. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O combate à dengue tem pelo menos quatro frentes de ação prioritárias – prevenção, combate aos criadouros, atendimento médico imediato e vacinação. Desde que a dengue reapareceu nos anos 1990 no Brasil, com destaque na própria região, o mais difícil tem sido convencer parte da população a evitar a proliferação do mosquito. Passadas três décadas, ainda há muita displicência, o que favorece a disseminação do inseto. Por isso, a ação dos agentes sanitários é da maior importância e precisa ser valorizada, inclusive com incremento de verbas para suas atividades. Apesar da dengue ter se tornado corriqueira no País, agora a doença merece atenção redobrada devido ao impacto das mudanças climáticas. Tradicionalmente, havia a disseminação do mosquito durante o verão, com o pico de casos no fim da estação. Porém, com o calor e chuvas ocorrendo em épocas atípicas, como no semestre passado, preocupa o efeito que isso deverá causar no ciclo da dengue. Neste momento, há um quadro agressivo de infecção pela doença em várias regiões do País, como Distrito Federal, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Para piorar, há manifestação dos tipos 1 e 2 da dengue, o que amplia a possibilidade de infecção (quem foi infectado apenas por um tipo poderá ser contaminado pelo outro). Com mais de 1 milhão de casos (entre prováveis e confirmados) registrados no Brasil, neste ano, frente a 207 mil em igual período no ano passado, também merece atenção o número de mortes causadas pela doença – 256, quase o dobro (149) dos óbitos no mesmo intervalo (janeiro e fevereiro) de 2023. No fim das contas, apesar do combate aos criadouros ser a principal medida de prevenção, a esperança de conter a dengue está na vacina Qdenga, a única disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS) e em quantidade ínfima em relação às necessidades do País. Mas nem assim parte da população está conscientizada em relação ao perigo da doença. Desde o início da campanha de vacinação, em 9 de fevereiro, até agora, segundo o portal g1, apenas 11% das doses foram aplicadas no público-alvo de 10 a 14 anos. Portanto, volta-se à questão da prevenção, que precisa ser reforçada para conseguir o devido apoio da população.