[[legacy_image_138077]] É positivo que o mercado de trabalho esteja em recuperação, mas a notícia não é de todo boa, pois a conquista do emprego se dá com salários mais baixos e muita informalidade. Essas duas condições causarão reflexos sobre o consumo em 2022, diminuindo um pouco sua capacidade de puxar investimentos ou estimular a injeção de recursos públicos, que basicamente depende da expansão da arrecadação de impostos. De qualquer forma, gerar postos de trabalho é o que a economia mais precisa neste momento. E se ela não ocorre do modo que se esperava, que pelo menos continue de forma gradual. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do trimestre encerrado em outubro, a taxa de desemprego chegou a 12,1%. No levantamento concluído em setembro, o índice era de 13,7%. Os dados indicam que o mercado absorveu 3 milhões de trabalhadores neste ano, considerando quem tem carteira assinado e os informais – porém, ele ainda não se recuperou do baque com a pandemia. Dos 94,7 milhões de trabalhadores de pouco antes da chegada do vírus, agora são 94 milhões. Ainda que o governo seja alvo de críticas pela demora para enfrentar o impacto da doença, lá no primeiro semestre do ano passado, e para se render à importância das vacinas, as medidas de proteção ao emprego (redução proporcional de salários e jornada e crédito emergencial às pequenas empresas) impediram uma catástrofe na geração de vagas. O ponto fraco da Pnad de outubro é mesmo o rendimento médio, o mais baixo desde 2012, quando a pesquisa passou a ser realizada pelo IBGE. A renda caiu 4,6% em apenas um trimestre, o equivalente a R\$ 117 a menos em relação a julho. Se a comparação for de outubro de 2021 com igual mês de 2020, a queda é de 11,1% ou uma redução de R\$ 307. O valor parece não ser tanto, mas ele é calculado sobre uma média (piso de R\$ 2.449 mensais em outubro último), com dezenas de milhões de trabalhadores em todos os cantos do País. É uma cifra que reduz a compra nos supermercados e a capacidade de manter as dívidas em dia, além de desestimular planos de estudo ou uma simples viagem de turismo no próximo ano. O levantamento também embute 38,2 milhões de trabalhadores sem carteira assinada, o equivalente a 40,7% do mercado de trabalho. A informalidade é um fenômeno dos últimos anos, mesclando trabalhadores que não conseguem se manter em um mercado formal menor e que seleciona os melhores capacitados e satisfazendo profissionais que se adaptam aos serviços conectados por aplicativos. Para melhorar o perfil do mercado de trabalho só há um remédio, que é destravar a economia de forma estrutural, com taxas do produto interno bruto (PIB) mais altas, o que demandaria empregos e geraria disputa por trabalhadores, forçando salários mais robustos.