[[legacy_image_215885]] Não é de hoje que estudos logísticos indicam a necessidade de investimentos em ferrovia e que a concentração dos transportes em um só modal, o rodoviário, foi um erro estratégico para o País. Os especialistas recomendam a retomada dos trilhos e, pelo jeito, além da demanda dos passageiros, o setor empresarial também está interessado no sistema férreo. Reportagem publicada nesta quarta (19) em A Tribuna mostra que quatro em cada dez empresas gostariam de trocar as rodovias por outro meio. A principal alternativa para escoar mercadorias seria o trem, com 28,5% das respostas dos executivos entrevistados para o levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Hoje, o trilho serve apenas 8% das companhias, obviamente porque sua rede é diminuta, um absurdo em um país de dimensões continentais. Sem a opção pelas ferrovias, 99% das indústrias dependem de caminhões para suas entregas. Porém, as estradas impõem um elevado custo Brasil à produção nacional, também causando congestionamentos nos acessos às grandes cidades, conflito de veículos pesados com automóveis (cujos donos também poderiam utilizar o meio férreo), poluição e elevado consumo de combustíveis. No meio agrícola, as viagens são longas demais em sistemas rodoviários de má qualidade, com desperdício da mercadoria e risco de roubo de cargas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Não se entende o motivo do País ter abandonado o sistema ferroviário, tão usado em economias pobres, médias ou ricas, como os Estados Unidos, a Índia e principalmente o Japão, onde os trens de alta velocidade interligam as cidades e aceleram as viagens dos passageiros dentro de Tóquio, a maior área urbana do mundo. Nesta eleição, os candidatos a governador retomaram a proposta de ligar a Capital com o Interior com trens, uma promessa que não é nova e com projetos traçados há muitos anos e tema recorrente de discussões em seminários. Entretanto, uma vez no poder, os políticos descobrem que seus orçamentos são limitados e os segmentos de transportes recebem investimentos insuficientes. Como já há rodovias servindo passageiros e empresas, os recursos são destinados aos sistemas do metrô e da CPTM. Infelizmente, no Brasil, a infraestrutura enfrenta um descontínuo investimento ao longo das décadas, com projetos demorados que muitas vezes empacam não só por falta de dinheiro, mas por disputas judiciais nos processos de licitação, embargos ambientais e corrupção. Ainda conforme a pesquisa da CNI, 73% dos executivos entrevistados afirmaram que os transportes são o principal gargalo para os negócios, enquanto energia vem bem atrás com 13%, saneamento com 6% e telecomunicações com 5%. Essa insatisfação pode ser explicada pelo baixo investimento em infraestrutura do transporte, que corresponde a apenas 0,65% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo a CNI, seriam necessários pelo menos 2% do PIB para tornar a modernizar a logística brasileira.