(Cezar Fernandades/Divulgação) Em 2026, o País completa 20 anos da descoberta de petróleo no pré-sal da Bacia de Santos, realizada pela Petrobras. Recentemente, o pico da produção diária brasileira chegou a 5,5 milhões de barris. No balanço de março, do portal Trading Economics com os maiores produtores mundiais, o Brasil aparece em sexto lugar, atrás apenas de Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita, Canadá e China, superando os Emirados Árabes Unidos, Irã e Iraque. Portanto, hoje já se pode chamar o Brasil de país do petróleo. Porém, após se tornar um dos gigantes do setor, o Brasil ainda apresenta muitas falhas nessa área, como falta de segurança jurídica para atrair petroleiras estrangeiras ou desenvolver mais companhias nacionais e saber utilizar com eficiência os royalties, agora envolvidos em uma grande disputa entre prefeituras. Há ainda tarefas a cumprir, como formar um fundo com o excedente de capital, como faz a Noruega, preparando-se para a fase de decadência. No caso do Brasil, esse dispositivo já é utilizado para levantar recursos para o programa Minha Casa, Minha Vida. Tal finalidade é nobre e urgente, mas fica o risco de novas utilizações, não tão importantes, impedirem uma espécie de poupança para o País com os recursos do petróleo. Essa preocupação ganha importância porque os especialistas preveem o começo da decadência do pré-sal em 2033. Ainda será possível melhorar a eficiência da produção desses poços, mas a saída para manter o Brasil relevante nesse segmento será explorar a Margem Equatorial, faixa litorânea entre Amapá e Rio Grande do Norte, de alto impacto ambiental. Outra alternativa é a Bacia de Pelotas ou mesmo reservas terrestres. Entretanto, tudo é muito moroso, como é o caso da Margem Equatorial, cuja tentativa de desenvolvê-la já tem uma década. O País também enfrenta muitas dificuldades para desenvolver sua indústria petrolífera. O Brasil continua como um grande importador de diesel, fragilidade que ficou exposta agora com a guerra entre Estados Unidos e Irã ou mesmo com a pressão do Ocidente para impedir a exportação do derivado pela Rússia. Também há uma grande discussão sobre o refino, que começou a ser privatizado no Governo Bolsonaro e que a gestão petista busca reverter. O certo seria manter ambos os sistemas, pois é evidente que uma empresa, mesmo a Petrobras, não pode estar em todos os lados em uma cadeia tão complexa como a do petróleo. Falta aproveitar a expansão da indústria petrolífera na educação, acelerando a formação de mão de obra capacitada. É uma discussão que já foi feita na região, durante o período em que se imaginou que este setor cresceria muito por aqui, mas que se revelou mais enxuto devido ao avanço tecnológico e à busca da Petrobras por eficiência e redução de custos. Hoje o petróleo tende a ser o principal produto exportador do País, superando a soja, mas ainda há muito para desenvolver essa cadeia.