Imagem Ilustrativa (Pixabay) Na apresentação do balanço da Petrobras referente ao terceiro bimestre, sua presidente Magda Chambriard destacou que o petróleo se tornou este ano o principal produto de exportação brasileiro. O relatório da Secretaria de Comércio Exterior mostra que ele movimentou, na categoria de óleos brutos, US\$ 38,2 bilhões em vendas externas no acumulado do ano até outubro, e na de óleos combustíveis, US\$ 10,1 bilhões, enquanto a soja registrou US\$ 40,9 bilhões, o minério de ferro, US\$ 25,3 bilhões, e o café não torrado, em décimo lugar na lista, US\$ 8,961 bilhões. São números que impressionam do lado do petróleo, pois desde a primeira metade do século passado o País almejava ficar autossuficiente nesse item. A partir dos anos 1970, por ser importador, o País exauriu suas reservas em moeda estrangeira e no começo da década seguinte, no Governo Figueiredo, o Brasil, com falta de dólares, corria o risco de não conseguir comprar o óleo para consumir no mês seguinte. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! É possível que a liderança do petróleo tenha relação com o impacto da seca no agronegócio e com a queda dos preços das commodities devido à desaceleração mundial (mas isso também atingiu o petróleo), contudo, a importância do setor petrolífero na balança comercial tende a ser crescente. Os avanços tecnológicos, por mérito da Petrobras, permitiram à estatal buscar reservas no pré-sal, tornando o Brasil no ano passado o oitavo maior produtor do mundo, com 3,4 milhões de barris por dia, à frente dos Emirados Árabes Unidos e Kuwait, e atrás do Irã, com 3,9 milhões de barris. Há poucos meses, a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) reclamou dos sócios que não reduziram a extração, fazendo com que o barril desvalorizasse. Mas a Opep também afirmou que a expansão da oferta teve relação com o crescimento do Brasil e da Guiana nesse mercado. O Palácio do Planalto entrou em uma polêmica com a estatal sobre a destinação de seus dividendos e que eles deveriam ser investidos na produção para o País crescer. Isso faz sentido, mas também é necessário remunerar os sócios da companhia, pois ela depende do mercado para levantar capitais. Seus donos são o governo e grandes fundos, mas a empresa atingiu a marca inédita de 1 milhão de acionistas individuais em setembro. São minoria, mas essa remuneração acaba sendo reinjetada na economia. Porém, o petróleo é finito (no caso do pré-sal, a produção já começa a cair na próxima década). Além disso, o produto é o grande vilão do clima. A cada poço aberto, seus gases poluem a atmosfera e ameaçam a sobrevivência desta e das próximas gerações. Portanto, é preciso estar consciente deste impacto, admitindo que o mundo ainda é dependente desta energia. O mais razoável é aproveitar suas receitas para acelerar a transição para fontes limpas, o que exige muita tecnologia e planejamento, e não apenas usufruir os recursos de forma irresponsável.