[[legacy_image_199800]] O algodão, assim como a soja e a carne, é mais um item do agronegócio brasileiro a atrair riquezas com as exportações. O plantio da cultura pode aumentar até 19% este ano, aproximando-se do desempenho do período pré-pandemia. Entretanto, esse caso revela outro contexto da economia do País – por trás da expansão da matéria-prima está o deslocamento mundial da indústria têxtil da Ásia, que gerou centenas de milhares de empregos em países com mão de obra barata, como China, Bangladesh, Vietnã e Filipinas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A produtividade e a força exportadora do campo são inegáveis e uma vantagem econômica extraordinária do Brasil. Mas por se tratar de um país de dimensões continentais, com quase 215 milhões de habitantes e metrópoles com bolsões de miséria, é preciso que comércio, serviços, indústria, infraestrutura e administração pública acompanhem o passo largo do setor rural e superem taxas de crescimento anêmicas e até recessivas. A rigor, o desenvolvimento econômico do Brasil ao longo dos séculos está associado a commodities, principalmente com o caso do café, que mudou a história do País e ainda mais do Estado. Por aqui, a riqueza dos cafeicultores gerou um excedente de capitais que foi investido nos setores financeiro, comercial e industrial paulistano a partir do fim do século 19, que décadas depois sustentou a diversificação da economia brasileira. Hoje, o agronegócio não gera mais emprego como antes. Por outro lado, está disseminado pelas regiões do País. Localmente isso é muito positivo, como é o caso do Piauí, oeste da Bahia e partes do Rio Grande do Sul e Paraná, que entraram em decadência nos anos 1970 e 1980 com as migrações para o Centro-Oeste e se reinventaram com o agronegócio, com aumento de produtividade, sem necessidade de expandir a área cultivada. No caso do algodão, a produção é feita geralmente como segundo plantio, após a colheita do milho ou da soja, exigindo grande capacidade financeira por demandar muita água da chuva e fertilização, concentrando essa cultura entre grandes fazendeiros. Isso facilitou a adesão a métodos mais favoráveis ao meio ambiente, com 84% da produção nacional com o selo de sustentabilidade, uma certificação muito valorizada pelo vestuário mundial. Mas persiste a necessidade de reinventar as metrópoles. Além de estarem travadas por falta de investimento em transporte público e habitação, também enfrentam desafios impostos pela tecnologia, que permite trabalhar de forma remota de qualquer lugar do mundo. Também é possível estudar sem sair de casa e se reunir via teleconferência. A necessidade de interação social ou com o colega de trabalho continua, mas são condições em profunda transformação. São questões sem relação direta com o vigor do agronegócio, mas cujo desenvolvimento pode inspirar os brasileiros, empreendedores e governantes a tornarem o País mais dinâmico como um todo.