(Tânia Rêgo/Agência Brasil) A decisão da Petrobras de buscar petróleo em terra na Bahia destoa da política da estatal durante o Governo Bolsonaro, que priorizou a Bacia de Santos por ser mais lucrativa. Agora, a estratégia segue a orientação do presidente Lula de estimular o crescimento do País. O projeto também está alinhado à preocupação da empresa com o esgotamento mais rápido do que o esperado do pré-sal, previsto para a próxima década. Por isso, a Petrobras planeja investir em novas fronteiras, como a Margem Equatorial, que vai do litoral do Amapá até o Rio Grande do Norte, uma região de elevado conflito ambiental. Conforme divulgado pela estatal na segunda-feira e publicado por A Tribuna ontem, a Petrobras assinou contrato com duas companhias de perfuração para atuar no Recôncavo Baiano, área que circunda Salvador e que está localizada no maior reduto político do presidente. Essa região tem grande relevância histórica para a exploração de petróleo no Brasil, pois foi onde ocorreu a primeira descoberta promissora do País, em 1939, no bairro de Lobato, em Salvador. Aparentemente, o novo projeto não tem grande escala, caso contrário, a Petrobras já teria alocado mais recursos para essa área. O investimento será de R\$ 707 milhões para perfuração de poços terrestres de até 5 mil metros de profundidade, com geração estimada de 500 empregos. Na gestão passada, a estatal, em meio à sua recuperação financeira, focou apenas em projetos altamente lucrativos, vendendo refinarias e campos de menor produção. Muitos desses ativos foram adquiridos por junior oils, pequenas e médias petrolíferas especializadas em reservas que não são atrativas para grandes companhias como a Petrobras. Com Lula, a empresa voltou a diversificar sua atuação, ampliando investimentos em refino, fertilizantes, biocombustíveis, fontes renováveis e exploração em novas áreas, como Angola e Colômbia. Como a União é a principal acionista, com 35% das ações, a Petrobras está sujeita às diretrizes do governo, sem total autonomia. No entanto, os demais 65% de suas ações estão distribuídos entre fundos de pensão, investidores internacionais e mais de 1 milhão de pessoas físicas – marca alcançada em setembro passado. Esses investidores, geralmente, têm interesses distintos dos do setor público e buscam maior lucratividade, como ocorre em qualquer economia capitalista. Por isso, a atual gestão da Petrobras tem sido alvo de críticas do mercado financeiro, apesar do papel estratégico da empresa para o Brasil. Sem o investimento de décadas na pesquisa do pré-sal, o País não teria hoje reservas internacionais no Banco Central tão robustas, pois parte delas seria utilizada para importar petróleo. A preocupação com a Petrobras também envolve questões ambientais, especialmente com a iminente autorização para pesquisas na costa do Amapá, que podem afetar a Foz do Amazonas. Diante de sua relevância estratégica e da necessidade de planejamento de longo prazo, a Petrobras deveria operar sem interferência direta de políticos, seguindo diretrizes públicas definidas de forma transparente e sem viés eleitoral, garantindo eficiência e segurança energética ao País.