(Carlos Nogueira/AT) Apesar das negociações tarifárias dos EUA estarem pendentes com alguns países, como Brasil, China, Índia e Coreia do Sul, a pergunta que se faz é: como ficarão o comércio mundial e o próprio crescimento global nos próximos anos? Segundo o presidente americano Donald Trump, as taxas devem variar entre 15% e 20%, sem especificar se o Brasil estará nesse meio. A estratégia deve aumentar a inflação dos EUA, ainda em níveis de difícil previsão, pois os fornecedores tendem a dar descontos para reduzir o impacto das taxas. Por outro lado, muitos exportadores poderão deixar de vender aos EUA por não identificarem alguma chance de lucro, o que, em tese, geraria mais aumento de preços. Trump admite alta da inflação até que no médio prazo as empresas dos EUA voltariam a produzir para atender o mercado interno. Mas muitos analistas duvidam disso pela atual fase da economia americana, focada em tecnologia e no elevado perfil profissional. O republicano tenta cumprir a promessa de atender o eleitorado à margem desse processo, que não tem qualificações nem consegue os melhores empregos. Paralelamente, Trump busca ganhar competitividade para os EUA por meio do enfraquecimento do dólar, que, mais barato, deixa o “made in USA” também com preços mais baixos. O que se imagina, após o acordo vantajoso aos EUA fechado com a União Europeia (UE), é de que os americanos conseguirão ampliar as exportações. A UE reduziu sua tarifa de 30% para 15%, mas pagará US\$ 750 bilhões por energia fornecida pelos Estados Unidos e investirá US\$ 600 bilhões no país, o que deve gerar muito emprego. No caso do Brasil, a Embraer admite investir mais nos EUA e a fabricante de armas Taurus poderá se mudar para lá se o Brasil realmente sofrer a imposição dos 50%, que na prática inviabiliza as vendas brasileiras aos EUA. Se a maioria dos países fizer concessões temendo o arsenal de pressões que Trump tem a seu dispor, o jeito será redirecionar as vendas para outras economias. Como forma de não perder superávits, há o risco de mais protecionismo mundial, com tarifação generalizada. Caso isso se confirme, as exportações em escala global perderão vigor e haverá menos crescimento. No fim das contas, os americanos, Brasil, UE e demais países venderiam menos por falta de demanda. No caso do Brasil, seus destaques, como Embraer e as commodities (soja, carnes, café, minério de ferro e petróleo), devem permanecer competitivos. Porém, se torna mais fundamental ainda investir em ensino básico e capacitação, também porque há uma revolução tecnológica em curso, e na infraestrutura para reduzir custos. Já os EUA correm o risco de acrescentar ineficiência a sua economia por meio de tarifa, que trava a competição. Essa possibilidade já foi e continua sendo vivenciada por vários países, como o Brasil, pois o protecionismo desestimula a inovação e os preços baixos por afastar competidores externos ultraeficientes.