Pelo menos até esta segunda-feira (28), 47 países já tinham iniciado a vacinação contra o novo coronavírus. Entre eles estão nações do mundo desenvolvido, como Estados Unidos e Canadá, e quase todos os membros da União Europeia. E também México, Costa Rica, e Chile, exemplos de que o acesso aos primeiros imunizantes disponíveis é possível até para economias intermediárias. Para os brasileiros, acompanhar cada início de vacinação ao redor do mundo faz despontar uma certa inveja e a constatação de que o governo falhou no campo do planejamento. Já estava claro há alguns meses de que os laboratórios com as pesquisas mais viáveis trabalhavam em ritmo acelerado e com altas possibilidades de sucesso. Assim, muitos governos separaram recursos e iniciaram conversas para garantir seus lotes. Os resultados estão aí é até o momento a única imunização agendada no País é a paulista, para 25 de janeiro, que mesmo assim não se pode dizer que está garantida. De uma forma muito nebulosa e confusa, o anúncio do percentual de eficácia da parceria do Instituto Butantan, prometido para a semana passada, foi adiado para até o próximo dia 7, apesar da Turquia ter divulgado que por lá a CoronaVac atingiu 91% de eficácia. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! A corrida dos países para deflagrar, ainda que de forma comedida devido a limitação dos laboratórios, suas campanhas está relacionada à possibilidade de derrotar o vírus. O isolamento social efetivamente realizado consegue controlar a disseminação da covid-19, entretanto, a custos elevadíssimos, pois a dificuldade para implantá-lo e a natural necessidade humana de se relacionar abrem brechas para que as contaminações retornem. Por isso, não há outro caminho a não ser antecipar ao máximo possível a imunização no Brasil. Até o momento, o presidente Jair Bolsonaro, que intercala falas de que haverá vacinação com comentários dispensáveis sobre efeitos colaterais, não dá sinais de que vai acelerar o passo para obter alguma vacina nas próximas semanas. Como muito tempo foi perdido e o Brasil está provavelmente para trás na fila dos pedidos da Pfizer-BioNTech, não se deve apostar que alguma notícia positiva nesse campo. Há ainda outros desafios pouco discutidos, como levar as doses para todos os cantos do País sob condições especiais de refrigeração. A ficha ainda não caiu totalmente para o Palácio do Planalto. Talvez isso aconteça quando ficar claro para o presidente o impacto por aqui das notícias de vacinação ao redor do mundo e a sensação que começa a se espalhar de atraso do Brasil. Por outro lado, a imunização também está no radar das prioridades das empresas, principalmente as prestadoras de serviços de segmentos como turismo, entretenimento, comércio e até frigoríficos. Por último, companhias aéreas, como a australiana Qantas, sinalizam que vão exigir comprovante de imunização na hora do embarque. Estará o Brasil fadado ao isolamento?