[[legacy_image_104144]] Mais uma ação de limpeza das praias, mangues, costões rochosos e do fundo do mar ocorreu neste final de semana, organizada por entidades não-governamentais que têm como foco a conscientização ambiental e a preservação do planeta. Participaram importantes parceiros da Secretaria de Meio Ambiente de Santos, como o Projeto Mantas do Brasil, a ONG Santos Lixo Zero e Instituto Gremar. De garrafas plásticas a mobílias, um sem-número de detritos foi recolhido pelos voluntários, que percorreram não só a faixa de areia da praia, mas também o manguezal que circunda a Cidade e para onde diversos materiais são levados pela correnteza e ficam presos às raízes. Iniciativas como essa, ainda mais quando ganham a devida visibilidade da mídia, servem para chamar a atenção da comunidade para o depósito em que se transformou o espaço comum das praias. É quase como um propósito didático, em que se traz para frente dos olhos o lixo descartado, às vezes, a quilômetros de onde foi achado. Mais do que recolher e chamar a atenção para o problema, é preciso identificar as fontes poluidoras, a origem de cada material, para que se criem programas específicos, focados em combater esse descarte diretamente no local onde é praticado. Desenvolvido em Santos desde 2018, o programa Combate às Fontes de Poluição Marinha por Resíduos Sólidos mostrou no ano passado, por exemplo, que a pandemia fez quase zerar a presença na faixa de areia de alguns tipos de materiais, como garrafas plásticas, tampinhas, lacres de bebidas e bitucas de cigarros. Se eles sumiram quando a praia fechou, ficou claro que são levados à areia pela própria população. Uma vez identificada a fonte geradora, fica mais assertiva a adoção de medidas. No caso desses itens, campanhas objetivas devem focar os banhistas e os ambulantes, por exemplo. O programa identificou ao menos 90 itens diferentes, que vão de móveis a redes de pesca, passando por assentos sanitários, potes de margarina, fraldas, brinquedos, calçados, remédios, produtos de higiene, vidros, copinhos, latinhas, borrachas, isopor. Identificar de onde vêm os materiais poluidores é o primeiro passo para articular ações efetivas que mitiguem ou zerem o descarte irregular. A toda sorte de detritos somam-se, agora, as máscaras, já presentes em grandes quantidades nas praias e nos oceanos. Importante destacar que lixo reciclável representa dinheiro, desde que haja programas eficientes e perenes, preferencialmente envolvendo comunidades carentes com a geração de emprego e renda. Já há, em Santos, iniciativas bem sucedidas nesse sentido, chanceladas pelas próprias organizações que neste final de semana promoveram a ação de limpeza. O que falta, agora, é ampliar esses programas.Essa é uma política pública que, de um lado, estimula a conscientização ambiental e, de outro, reduz os gastos com coleta e destinação desses resíduos para o aterro sanitário.