(Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contrariou as apostas e optou pela deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) para a articulação política. A escolha, assim como a reforma ministerial (em fase inicial), reflete uma arrumação interna totalmente voltada às eleições de 2026. Nesse contexto, a mudança ganhou importância com as pesquisas que trouxeram uma impressionante queda de popularidade do petista, antes considerado imbatível para o próximo pleito. Portanto, não se deve esperar do governo foco em medidas com efeitos de longo prazo ou para modernizar o País - o objetivo é investir em iniciativas que rendam votos ou pelo menos represem a perda deles. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A liberação dos saldos do FGTS a quem optou pelo saque-aniversário tem a ver com esse “modo eleição” de Lula. Nessa linha, ele deverá se esforçar pela aprovação da medida provavelmente mais impactante para as urnas, a ampliação da isenção do Imposto de Renda até a renda mensal de R\$ 5 mil. Combativa e aliada de confiança de Lula desde os tempos em que ele ficou preso na Polícia Federal, em Curitiba (PR), Gleisi representa, segundo analistas de Brasília, o enfraquecimento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Gleisi, que combateu a política fiscalista de Haddad mais do que a própria oposição, vai cuidar das relações do Planalto com o Congresso. A deputada se situa mais à esquerda do PT, uma ala que abomina as políticas de restrição dos recursos públicos desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso e as privatizações, defendendo o Estado como principal motor da economia. Ela fez violentos ataques à gestão monetária (juros altos) do então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mantida pelo sucessor Gabriel Galípolo. Até porque a estratégia de subir juros contra a inflação é a que melhor surte resultados e tem a confiança do mercado financeiro, o que mantém fluxos de recursos a governos gastadores - como o brasileiro tem se mostrado há décadas. Entretanto, no caso de Galípolo, Gleisi poupou o indicado por Lula e evitou críticas pesadas, provavelmente em sinal de obediência ao presidente. Mas a nomeação de Gleisi traz muitas incertezas ao centrão, que ambicionava o cargo da articulação política. O bloco tem como única meta em relação ao governo manter uma interlocução para facilitar a liberação de emendas parlamentares. São R\$ 50 bilhões para este ano, considerados fundamentais para garantir a reeleição dos deputados federais e senadores em seus redutos. O centrão queria preferidos de seus quadros e até aliados dentro do PT, o deputado José Guimarães (CE), até então o favorito, para o cargo que ficou com Gleisi. Mas Lula mostrou que não aceita ampliar a influência do centrão em seu governo, mesmo que isso dificulte ainda mais a aprovação de suas pautas. Não se deve estranhar se temas de interesse exclusivo da oposição ganhem fôlego, até como resposta do bloco ao Palácio do Planalto.