[[legacy_image_251121]] A temporada de verão vai se encaminhando para o final e, pouco a pouco, a presença maciça de turistas em Santos e na região começa a se concentrar mais nos finais de semana, com maior ou menor intensidade a depender da presença de sol. O momento poderia ser de redisciplinar, repensar, reavaliar e redesenhar o uso dos equipamentos e espaços públicos presentes na orla da praia, a começar pelos jardins. Quem caminha pelo calçadão é capaz de elencar uma série de fotografias nada bonitas sobre o uso desse espaço tão nobre, cartão-postal da Cidade, presente no Livro dos Recordes como o maior jardim frontal de praia do mundo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Há de tudo um pouco: banhistas que se espalham confortavelmente pelo gramado, esportistas que decidem ‘bater uma bola’ sobre o verde das alamedas, moradores em situação de rua que dormem sobre o jardim e bancos, cachorros soltos e sem coleiras fazendo daquele espaço um banheiro público - para não falar da areia, onde seus donos insistem em levá-los fora do perímetro estipulado pela legislação que jamais foi cumprida. Chama atenção, também, a falta de homens da Guarda Civil para coibir os abusos e orientar os que desconhecem as regras. Em lugar de espalhados por toda a extensão dos cinco quilômetros de orla, homens e viaturas ficam predominantemente concentrados nos mesmos pontos, parados. Seria essa a melhor estratégia para dar conta de todo o jardim? Não faria mais sentido que os homens, em duplas, circulassem ininterruptamente por toda sua extensão? Moradores em situação de rua, não raro, são hostilizados por banhistas, que os enxergam com preconceito e desdém. Políticas higienistas não são bem-vindas em município algum, sejam eles turísticos ou não. Porém, é justo e legítimo que sigam regras, e uma delas poderia ser o uso dos chuveirinhos da orla, onde normalmente tomam banho, lavam suas roupas e objetos e higienizam seus animais de estimação. Então, na tentativa de conciliar interesses, por que não construir sanitários com ducha junto aos postos dos canais, fazendo com que se utilizem deles para o que hoje fazem em toda a extensão da orla? Moradores em situação de rua vivem em condição indigna e não há solução única para indivíduos e famílias com históricos e trajetórias distintas. Para a grande maioria, a solução passa pela redução das desigualdades, mas não se pode esperar que essa população cresça nas cidades sem que um mínimo de civilidade e ordenamento seja implantado. Comerciantes que vivem das barracas da areia também devem ser orientados sobre o uso da água, um bem caro e finito, pelo qual não se paga nada. Então, que seja usado com parcimônia e consciência. Os problemas existem e devem ser resolvidos de forma racional e objetiva, sem que se aponte o dedo para apenas um segmento da sociedade. O espaço é público, mas de uso coletivo.