[[legacy_image_328254]] O programa de empréstimo em gestação pelo Governo Federal para atender pequenos negócios, que prevê R\$ 30 bilhões, será uma nova iniciativa para beneficiar as microempresas, o que é bastante positivo, pois é a falta de crédito que costuma asfixiar esse segmento. A linha será ofertada depois dos R\$ 50 bilhões do Pronampe, que foi criado pela gestão de Jair Bolsonaro para apoiar esse mesmo público na pandemia. Entretanto, é preciso alertar que parte desses tomadores desse financiamento não conseguiu pagá-lo, pois o contrato prevê a correção por um juro fixo mais a Selic, taxa que avançou de 2% ao ano no fim de 2020 para atuais 11,75% (depois de ter chegado a 13,75% em 2022). Portanto, o desfecho do alto endividamento foi inevitável, a ponto de estar prometida, talvez para início neste trimestre, uma nova fase do Desenrola para que os micro e pequenos empresários possam renegociar seus débitos. O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França, que fez o anúncio da linha em estudo de R\$ 30 bilhões, conforme A Tribuna publicou no sábado (20), na verdade tem como seu principal desafio conseguir a renegociação do endividamento do seu público-alvo. Sem isso, o sistema bancário obviamente não vai ampliar a oferta de crédito para o empreendedor que está inadimplente ou com receita comprometida com parcelas de empréstimos. A outra solução é o governo manter linhas próprias especiais para esse fim, mas de efeito limitado, pois a demanda por recursos, com certeza, é muito maior do que os R\$ 30 bilhões. Trata-se de um nó difícil de ser desatado. Os bancos se retraem ou tendem a cobrar juros mais altos de empreendedores com passado inadimplente. O calote também é uma forma da oferta de financiamento continuar baixa, pois o dinheiro que retorna ao sistema financeiro por meio do empresário que paga em dia é que vai acabar atendendo a demanda, e a uma taxa de juros suportável. Entra governo, sai governo, a promessa é atender o pequeno empresário com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) devido a condições mais vantajosas, mas a inadimplência impede que isso de fato saia do papel. Não bastasse o contexto atual de alto endividamento como fonte do problema, há a tradição de dificuldades financeiras que o empreendedorismo enfrenta no Brasil. O problema vai desde uma educação de base deficiente e falta de capacitação para cuidar das contas e da gerência do próprio negócio até a instabilidade econômica do País, com um vaivém de juros que não é possível suportar. Por outro lado, muita gente parte para o negócio próprio por necessidade, como uma segunda fonte de renda devido ao baixo salário ou mesmo ao desemprego. Por falta de preparo, de crédito e de fundamentos sólidos (inflação e juros baixos), poucos conseguem prosperar.