Os Correios divulgaram na quinta-feira o balanço financeiro de 2025, apontando para um prejuízo de R\$ 8,5 bilhões, mais do que o triplo do registrado em 2024, enquanto a receita bruta recuou para R\$ 17,3 bilhões, uma queda de 11,35%. Não se trata de uma fotografia pontual, mas de um processo contínuo de deterioração. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Criada em 1969, como Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), a estatal nasceu com uma finalidade legítima e estratégica: garantir comunicação e integração nacional em um país de dimensões continentais, levando cartas, documentos e informações a regiões onde não havia qualquer infraestrutura. Por décadas, cumpriu papel essencial para o funcionamento do Estado e da economia. Quase 60 anos depois, é preciso admitir que o cenário mudou e, hoje, nem a comunicação nem a entrega de produtos acontecem da mesma forma. Parte relevante do rombo atual está associada a passivos judiciais, que somaram R\$ 6,4 bilhões, especialmente em ações trabalhistas. Ainda assim, o dado mais preocupante não está no passado, mas no presente: a empresa perde receita ao mesmo tempo em que mantém uma estrutura pesada e pouco flexível. Sinal claro de perda de competitividade em um mercado que se transformou profundamente. Esse ponto é central para entender por que soluções baseadas apenas em aportes são insuficientes. Em 2025, os Correios recorreram a crédito bilionário para sustentar o caixa, mas a lógica é simples: não há como equilibrar as contas de uma empresa cuja receita cai a cada trimestre. Sem crescimento ou, ao menos, estabilização da receita, qualquer injeção de dinheiro só serve para postergar o problema. A comparação com outras estatais reforça esse diagnóstico. Empresas federais como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa seguem apresentando resultados robustos e lucratividade consistente. Ou seja, o problema não está na natureza estatal em si, mas em um modelo de negócio que deixou de responder às exigências do mercado. O avanço de plataformas digitais e operadores logísticos privados criou um novo padrão de eficiência. Hoje, empresas oferecem sistemas integrados, coleta simplificada, rastreamento em tempo real e prazos mais curtos, com maior facilidade operacional. Enquanto isso, os Correios continuam presos a uma estrutura nacional ampla, custos elevados e limitações de gestão. Diante desse cenário, efetivar novos aportes públicos sem uma reestruturação profunda é insistir no erro. O País precisa de um sistema logístico eficiente, não de uma empresa dependente do Tesouro para sobreviver. A discussão precisa avançar. A privatização dos Correios surge como uma alternativa concreta. Com regulação adequada e garantia de universalização dos serviços, é possível preservar o atendimento à população e, ao mesmo tempo, permitir que a operação ganhe eficiência, investimento e capacidade de inovação. Mais do que uma escolha ideológica, trata-se de uma decisão prática diante de um modelo que claramente se esgotou.