(Reprodução/Unsplash) Há anos se discute o perfil do novo profissional, alinhado às novas necessidades de um mercado de trabalho dinâmico e impactado pelas novas tecnologias. Em 2023, o Fórum Econômico Mundial lançou estudo, feito a partir de pesquisa desenvolvida em vários países de perfis diferentes, apontando profissões e carreiras que desaparecerão nos próximos cinco anos, além de atividades que devem surgir ou ganhar força em igual período. O fator que tangencia tanto as que estão em alta como as que devem ser descontinuadas é a tecnologia associada a habilidades comportamentais. Esse movimento exige de escolas básicas e de nível superior uma sintonia bastante fina que ajuste currículos escolares e disciplinas às reais necessidades do setor produtivo. Contudo, a realidade brasileira aponta para o descompasso: o currículo escolar muitas vezes se distancia das reais necessidades das empresas, dificultando a inserção dos jovens no mercado e contribuindo para um preocupante índice de evasão escolar, especialmente no Ensino Médio, de 5,9% segundo dados do Censo Escolar de 2023. Parte dessa evasão é explicada pela necessidade de muitos jovens trabalharem precocemente, o que torna ainda mais urgente repensar os modelos educacionais. Os cursos técnicos profissionalizantes e os superiores de formação tecnológica são alternativas eficazes para acelerar a capacitação de mão de obra qualificada. Esses formatos alinham o aprendizado às demandas do setor produtivo, permitindo que os jovens ingressem mais rapidamente no mercado. Porém, para que esses cursos cumpram seu papel, é fundamental que seus currículos estejam em constante sintonia com as mudanças impostas pela tecnologia, pela inteligência artificial e pelas novas profissões que emergem nesse cenário. Experiências internacionais oferecem exemplos inspiradores. Na Alemanha, o sistema de educação combina aprendizado teórico em sala de aula com treinamento prático dentro das empresas. No Canadá, políticas educacionais são orientadas a prever demandas futuras, com investimentos robustos em cursos de tecnologia. Já a Índia foca no ensino técnico e no desenvolvimento de habilidades digitais, áreas essenciais para competir em um mercado globalizado. Esses modelos revelam a importância de as empresas se engajarem na formação de seus futuros profissionais, compartilhando responsabilidades com o sistema educacional. No Brasil, essa parceria carece de amadurecimento. Algumas empresas já investem em programas de formação, estágios e capacitação, mas essas iniciativas precisam ser ampliadas. Empresas têm um papel estratégico não apenas em oferecer oportunidades, mas também em colaborar com instituições de ensino para construção de currículos mais conectados à realidade do mercado. O futuro da economia brasileira depende da capacidade de formar jovens aptos a lidar com os desafios e oportunidades de um mercado cada vez mais tecnológico e globalizado.