Foto ilustrativa (Raimundo Rosa/Arquivo AT) Em menos de duas semanas, ao menos três temas foram levantados em eventos públicos e entrevistas que endereçam a um único caminho parte das soluções para os problemas regionais: a articulação coletiva dos nove municípios, deixando de lado vaidades e diferenças ideológicas ou partidárias em benefício de uma questão maior, que é o bem estar e a qualidade de vida dos quase 2 milhões de moradores que aqui vivem. Há duas semanas, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística anunciou o início de um plano regional de macrodrenagem, entendendo que essa é uma demanda que aflige e prejudica todos os municípios, e que não adianta orçar e realizar obras pontuais se não houver uma radiografia mais ampla e sistêmica de como funcionam os sistemas de escoamento das águas pluviais. O tema não é novo, mas pouco caminhou nos últimos anos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No início desta semana, durante fórum promovido pelo Grupo Tribuna para discutir Educação em Tempo Integral, a falta de um coletivo atuante de secretários municipais de Educação também foi apontada como gargalo na elaboração de uma política unificada para esse programa, uma das metas do Ministério da Educação em seu Plano Nacional de Educação. Sem uma uniformidade de práticas e de oferta de conteúdos qualificados, torna-se frágil a garantia de continuidade de políticas públicas frente à migração de estudantes entre uma cidade e outra. Além disso, seguirá sendo comum famílias matricularem seus filhos nas escolas melhor estruturadas, ainda que não sejam da cidade onde residem. Em outro evento da semana, com o tema Mudanças Climáticas, restou evidente que ações urgentes são necessárias para mitigar os impactos de eventos extremos, cada vez mais frequentes, mas que o conjunto de iniciativas regionais potencializará os resultados, na medida em que serão adotadas de forma ordenada e em cadeia, sem mau uso do dinheiro público ou gasto desnecessário de energia. Este ano, a Região Metropolitana da Baixada Santista completa 30 anos, e sempre se disse que o comportamento coletivo nunca se estabeleceu de forma plena, seja por questões políticas, ideológicas ou falta de espírito de grupo. Dessa forma, é muito bem-vinda a proposta do agora presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), Felipe Bernardo, prefeito de Peruíbe, em propor a criação de um consórcio para aquisição de itens básicos e comuns, elaboração de contratos com empresas metropolitanas, participação em licitações e até mesmo cotação de preços. Pode ser um embrião para que outras iniciativas surjam e consolidem, na prática, o decreto criado pelo então governador Mario Covas em 1996. Nessas três décadas, ações regionalizadas podem não ter caminhado com a velocidade que se esperava, mas o tempo parece estar evidenciando a necessidade premente de pensar e agir coletivamente para solução de problemas graves e comuns. O ponto de inflexão ainda está por vir.