[[legacy_image_240566]] Durante encontro com reitores de universidades federais, o presidente Lula comentou que se tratava do “encontro da civilização”. A afirmação é uma crítica aos problemáticos ministros da Educação que ocuparam a pasta recentemente. De Ricardo Velez Rodriguez, que sugeriu revisar livros que falavam sobre a ditadura militar no Brasil, a Milton Ribeiro, envolvido em um escândalo de corrupção ao lado de pastores, passando por Abraham Weintraub, que pediu a prisão dos ministros do STF, e Carlos Alberto Decotelli, que nem tomou posse por causa de informações inconsistentes em seu currículo, o cenário é mesmo desolador. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em um discurso em consonância com os novos tempos, Lula anunciou que o governo buscará oferecer uma educação de qualidade, alinhada ao “novo mundo do trabalho” e às necessidades da sociedade. “As universidades têm que participar junto com empresários, sindicatos, governo, para a gente desvendar como colocar as pessoas no mercado de trabalho”, argumentou. Porém, nem tudo foi auspicioso no discurso do presidente. Ao dizer que “o Brasil não pode ser o país que tem mais universidades para formar advogado, precisamos formar outras pessoas. Precisamos investir mais em engenharia, em médicos, porque temos carência de médicos”, ele usa retórica semelhante à da gestão Bolsonaro, que, à certa altura, com Weintraub à frente, falou em descentralizar o investimento nas faculdades de Filosofia e Sociologia para “focar em áreas que gerem retorno imediato, como Veterinária, Engenharia e Medicina”. Por mais que haja carências em mais segmentos do que em outros, não cabe ao governo impor direcionamento. Discursos à parte, a escolha de Camilo Santana para o Ministério da Educação parece ser um acerto. No Ceará, onde foi governador, ele colheu os frutos de uma política que tornou o estado referência entre as escolas públicas. Ao lado dele, como secretária-executiva, estará Izolda Cela. Primeira mulher governadora do Ceará, ela comandou a Secretaria da Educação do Ceará entre 2007 e 2014. Nesse período, começou a transformação do Programa Alfabetização na Idade Certa (Paic) em política pública. O projeto nasceu como uma cooperação entre estado e municípios para alfabetizar alunos da rede pública até o fim do segundo ano do Ensino Fundamental. Izolda ainda foi a responsável pelo Mais Paic, cujo objetivo foi estender as ações para turmas da Educação Infantil e para alunos até o quinto ano do Ensino Fundamental. Desta forma, o estado deu mais apoio às gestões municipais e à formação de professores de Língua Portuguesa e Matemática. Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros, chilenos e franceses mostrou que o Paic reduziu desigualdades e aumentou o nível de aprendizagem estudantil. O que leva a crer que a história pode, se não se repetir, ao menos trazer benefícios em nível nacional.