(Freepik) O fim da guerra no Oriente Médio traz resultados desastrosos para o Governo Trump, os Estados Unidos, a economia mundial e o próprio Irã, que teve parte de sua infraestrutura destruída. Muitas das principais lideranças iranianas foram mortas, como o líder supremo Ali Khamenei. Mas, o país foi resiliente e reorganizou seu governo rapidamente, tornando o controle do Estreito de Ormuz o principal trunfo, e não o programa nuclear, como se esperava. O regime teocrático sobreviveu, com a Guarda Islâmica ampliando sua força no governo. Somente o tempo dirá se houve alguma fratura interna e se a sociedade insatisfeita terá alguma força para impor transformações no país. É possível que não, com a repressão bruta se tornando uma arma constante. A reconstrução pós-bombardeios, se as sanções forem suspensas pelo acordo de paz, propiciaria até uma retomada econômica razoável. Para o presidente Donald Trump e os EUA, o sabor é de derrota. A Casa Branca perdeu parte de sua influência no Oriente Médio, com seus aliados sofrendo impactos econômicos e militares, e o Irã continuando como força regional que sustenta o extremismo. Trump não conseguiu conter Israel, que diversas vezes realizou ataques que poderiam ter causado uma escalada perigosa. A guerra também se mostrou muito ruim para os cidadãos americanos, que amargaram a volta da inflação e a suspensão da redução dos juros pelo Banco Central do país. A perda do poder aquisitivo corroeu a popularidade de Trump, que atingiu altos índices de rejeição a poucos meses da eleição legislativa. Agora há risco da Casa Branca perder maioria no Congresso, pelo menos em uma das casas. O mundo perdeu com essa guerra. A começar pela confusão geopolítica, que antes do conflito já estava em curso. Houve uma aceleração do distanciamento entre EUA e Europa e a expansão da rivalidade dos americanos com a China. Na economia, a subida do petróleo para pico de US\$ 126 o barril disseminou inflação e interrompeu os fluxos comerciais. A oferta de petróleo caiu 20% com o fechamento do Estreito de Ormuz, atingindo principalmente a Ásia e Europa. O Brasil faturou com as exportações petrolíferas a valores mais altos e com menor concorrência do Oriente Médio. Porém, o País teve que subsidiar os combustíveis, gastando recursos para isso, e perdeu parte do fornecimento de fertilizantes. O pior efeito foi a expectativa de corte menor da taxa de juros, significando um crescimento da economia abaixo do esperado. O acordo de fato será assinado na sexta-feira, mas há pontos pendentes, concentrados na negociação do programa nuclear e das sanções econômicas. Isso indica que a pacificação é frágil, mas que Trump deve evitar mais briga para satisfazer o eleitorado americano. Entretanto, para o médio e longo prazos, algum conflito poderá ganhar força. Os dois lados devem se anunciar vencedores para suas respectivas populações, mas ambos carregam saldos desastrosos.